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cada crença corresponde com cada cadáver

cada crença corresponde com cada cadáver

corriqueiramente
coveiro chega capela
cemtraliza cruz 
com cabeceira caixão
coloca castiçais com chamas
 convenientemente cintilantes
conquanto consome
 caneca com café
conforme chamusca cigarro

cabe coveiro corresponder cada corpo caído
com caixão contratado

convém colocar cravos
condecorando casaco

como colaborador com cemitério
conforme chega
coloca chapéu 
critério contra claridade
começa cavar chão... 
cava...cava...
cem centímetros
construindo cova
compatível com 
cumprimento caixão

conforme correm cerimônias
conduz criaturas chorosas
consanguíneas com cadáver
conduzirem cerimônia
carregando caixão
coberto com camiseta
correspondente com clube
cujo cadáver contribuía

criaturas cantam canções comovidas
como cadáver costumava cantar
contudo, choram copiosamente
conquanto cuidadoso coveiro
coloca cobertura 
cerrando caixão
centralizando com cova cavada 

como costume
caem crisântemos
como chuva colorida
celebrando cadáver

contudo
cadáver continua calado
completamente chateado
com culto cretino

sacharuk


poesia primeira

poesia primeira

poesia primeira
parafraseia pássaros
produz palavras pueris
por profissão

prodigioso poeta
pálpebras pesadas
pretas pintadas
piscam por pão
pedacinhos pontuais

poesia primeira
pode pairar prosaica
percorrer parágrafos
paradoxais

poisa plena
pura perplexidade
provê paixão por propósito
plenitude por pertencer

sacharuk

Painting by Ericamaxine Price

pífano perdido

pífano perdido

pronto! pachorra paz
perdia ponto
perdia prumo

perseguia prudência
pedia providência
pedia perdão
pelos pecados

precisava paciência
passos perseverantes
parcimônia planejada
para partir paradigmas
para provar perspectivas

perspicaz
prescindia pensamentos
profundamente peculiares
particularidades pueris
palavras pescadas
para parir poesia

possuia
plenas prerrogativas
planejava propósitos
perseguia prodígios
porquanto procrastinava
produções pragmáticas

pretendia persuadir
provar pleno poder
preconizando premissas
pronunciando paradoxos

por pura pressa
produzia pensamentos
promíscuos
palavras portavam
perfídias perdidas

pronunciava
preditivas prosas
pareciam presságios
perversos
pessimistas
perplexos

pedia pela paz
pedido porém
pairava pretérito
ponderava preceitos
parecia pífano perdido
propagando pífios prelúdios

sacharuk


canibalismo cidadão

 Circundavam calçada, centenas criaturas com camisetas coloradas, confeccionadas com cara chapada criatura chamada Che. Comunistas coordenados conclamavam cizânia, clamavam chamamento: "Calamar candidato" "Calamar candidato", carregavam cartazes com caricatura Calamar Cachaceiro. Criaturas com cútis coloridas, confinadas conduziram cartazes condizentes com "conservar cotas" "coordenados contra corfobia" "Calamar comprometido contra corfobia", clamavam consideração. Criaturas com corpos comuns chacoalhavam colhões, chacoalhavam chibil, cu, considerando comover comunidade contra chavascofobia, contra caralhofobia, contra cacofonia, contra coxinhas, contra capitão coisonauro, contra coisominions, contra crentes, contra chãoplanistas, contra capitalismo. Criaturas cagavam chão calçada conclamando cruzada contra cufobia.

capitão coisonauro comandava carreata com centenas ciclomotores, cujos condutores, criaturas conhecidas como coisominions, coibiam cuidados contra coronavirus, carregavam cartazes com "candidatura colegiada com cédula carimbada".  Comando Combatentes chefiava cadetes conduzindo carreata com canhões centenários, chamuscantes como chaleiras carbonizadas, colocando canhões contra cara comunidade contrária convicções cretinas.  Coordenadores Congregação Cristã Cristo Chegará comercializavam cura conquanto conduziam culto comandando crentes, como carneiros confusos, criarem cruzada contra convicções comuns, contra candidaturas contrárias. Chãoplanistas chegavam conclusões catastroficamente calhordas. Chefia chinelicias cariocas, composta com conhecidos criminosos condenados, conclamava capitão coisonauro conquanto comandava crimes contra civis.

com cabeça cheia, cismei:

-caguei!  Comprarei cachaça com crédito covid caixeconômica.

sacharuk

Cagajato 1

Cagajato 1

Calamar Cachaceiro considerou consumir cachaça com certo comedimento, como critério chegar continente chamado Canovaticínio, comparecendo como célebre convidado criatura conhecida como Cardeal Cisplatino, chefe central Comando Comunista Católico (CCC). Contudo, coube Calamar Cachaceiro comparecer Casa Causídicos Comprometidos, chamar caríssimo companheiro Cofroli, com certeza conseguir carta contracondenatória chancelada com carimbo.

-- Cumpanhero Cofroli, careço comparecer Canovaticínio conhecer Cardeal Chico. Careço conceder conselhos. Chico comete culpa com Cristo! Cardeais com certo comportamento condenável, comendo criancinhas, cheirando cola, comprando cocaína, cocacola, cheirando cu, consumindo coquetel cachaça com combustível... Cardeais com consciência católica condenável. Calamar Cachaceiro conduzirá chefe Chico Cisplatino com certa compreensão. Com conselhos, conduzirá Chico conquistar coração cristão. Como criatura caridosa, Calamar colaborará com Canovaticínio consolidando capitalização considerável conta corrente Conselho Cardeais Canovaticinenses. Contudo, cumpanhero Cofroli carece comandar confecção carta contracondenatória. Cumpanhero comprometido com consciência comunista certamente comandará corte caneleira circuitada. Causa coceira canela. Como Calamar chegará Canovaticínio, caracara com Chico, como condenado comum calçando caneleira? Cara caramba cara caraô, caralho.


-- Claro, claro, chefia. Cabe companheiro Calamar chefiar, cabe Cofroli cumprir. Comandarei confecção carta, comandarei corte caneleira circuitada. Convocarei conselho com colegas causídicos: Chinelandowski Cunaboca, Chupaurélio, Carmen, Careca Covardão... Certamente Calamar conversará com Cardeal conquistando consciência cristã. Certamente companheiro Calamar colaborará com causa continental. Compete companheiro chamar cobertura cronistas colaboradores com Carta Capital, Correio Caradepaulo...

sacharuk

charge: Nani

seus sais

seus sais

sinto salgados
seu suor
seu sêmem
sua saliva

seu sexo
secreta
sabores solares

sou somente
sua serva
sorvo seus sais
sem segredos

sei sanar
seus sentidos
sabores servidos
sonhos sexuais

sei sumir
seu sabre
saborosamente
sem sacrifícios

sacharuk




Ágape

Ágape

andava ainda assim: altiva
alma aérea
a alimentar anjos astrais

abrupta
avançava ares
angulosa
alavancava as avenidas
a alimentar almas assassinas

abdicava as amizades
aspirava ao amor
algum amor

ah!
Ágape acreditava
áries ascendente áries
astuta, auspiciosa
alto astral!

amor às antigas?
ah ah ah ah
alcunha: Amanda
a Avassaladora

astuta artista
acessível
altamente acessível
acenava
acintosamente
abordava alguém
assim... alguém
aleatória

almejava algo anônimo
atestava acordos amorosos
afoita
adentrava alcovas
apagava abajures
abria as alças

abraçava apaixonada
acariciava
abrasante
atirava-se ao amor animal
acoplada
Amanda, acesa, ardente
abaulava as ancas
arqueava abundante

ajoelhada
abocanhava
arrebatadora
afim... adentrada

assimilava
até abarrotar
abençoada
ao amor abreviado
a alma absoluta
alma abastecida
assistia ao amante
abafado
abatido
aspirações aceleradas
aturdido
abusado

Amanda alimentada
acabado!
avião aterrissava
Ágape agradecia

sacharuk

fine-art: Monia Merlo


sussurros


sussurros

sente...

sigo somente 
sussurando singularidades
seduzindo sentidos

sente...
somente sussurros 
sem sentido
sem semântica
sem seriedade

separa sussurros 
silogísticos
sinistros
sugerem sensualidade
solicitações
sabotagens

sórdida sina
será sucumbir
sob sussurros sacanas

sacharuk






simples seara sem semente

simples seara sem semente

Sônia simplesmente semeia
silencia sofrimento
sólido solo saqueia
singelos sonhos semeados

sorrir sem sentir
só seria
sensação suave
somente
sem serventia
sem soberania
simples seara
sem semente

sacrifica sério semblante
sela santo solo servil
supera sol solapante
sucumbe sentido sombrio

seria só sentir
sem sorrir
só suave sensação
sem sobrepor
sem servir
simples seara
sem semente

sacharuk

para Starassiuk


sobre solo sagrado

sobre solo sagrado

sentiria sua sede
se sol secasse
soberanos sentidos

se solidão simplesmente sumisse
sentaria sobre sagrado solo
se sagrado solo sentisse

somos seres sedentos
satisfazendo sentidos
simbolicamente sanados

sacharuk


turbilhão


turbilhão

turbilhonava tornado
tramava torvelinho
tachava Terra tal tola
traçava torta trajetória

tivesse tragédia testado
todas tradições
todos temerosos
tantos tabefes tomados
tantos tropeços
tanta teimosia

todavia
terráqueos trataram
temido tsunami
tal troço tosco
tocou tensão toda Terra
transbordou tudo

trouxe tempestades tropicais
terríveis terremotos
transfigurações
tufões
tumultos

tudo tolerado
tão tácito
tão taciturno
trouxe tanta tristeza

talvez Terra
tentasse triunfar
traduzindo teor
tantas tristezas
tantas tolice
trabalhar
trabalhar

todos tememos
Terra terminar
tampouco
Terra treme

Tão tocante
todo território tomado
tórrida tortuosidade

traidores
tacanhos tiranos
tramam tragédias
transgridem tendências
trapaceiam

Terra tonta tombando
tempo terminando
tic-tac tic-tac!

sacharuk


poema paisano


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poema paisano

pendurado perpendicular
parece pacote pendente
pelo precipício
pichando paredes
pincela profanos painéis

poisa pleno
para proferir palavras
pacientemente paridas
pecador perdido
pássaro pagão
pensa pagar pelo pão
pífias promessas
porém prova pobres pratos
pagos por parcas patacas

padece pela peste
perece pela praga
paga pesado preço
pelas pílulas punitivas

parte protegido
pela paisagem
paisano pelos pampas
passa portas
pula pedras
percorre praias
prados
puxado pelas pernas

pesca peixes pictóricos
pelo profundo panorama
percebe passar patos
pelos parques
pelas páginas poéticas

paira pela paixão
paladino pateta
plana por puro prazer
planta papoilas
para penetrar pelas pétalas

permanece poeta
preso por piedade
profere parábolas
previsões profecias

pensa pedaços
pequenas partículas
para pintar poesia

sacharuk

Sensata

sensata

simplesmente sorria
sabia sorrir
sucumbia seriedades
sensualmente
sorria

seu sorriso
simulava sabedoria
sabia ser serena

sorria sem som
sem sentido
somente
sorria


seu semblante
sensível seda
suave

sucumbia sóis
sucumbia sombras
satisfazia
sua safadeza
sensatamente santificada
sobre sua sina

sabia ser sofisticada
servindo somente
sua satisfação

suplicava sentir
seduzia
saciava seu sexo
sentava
sugava

sofrega
sorvia sêmen
sorvia suor
solidão
sexo
somente sexo

seu sonho
sentir-se segura
sóbria
séria

salva
sobretudo só

seu sonho
significa somente
sonho
sensatamente santificado
sobre sua sina

sacharuk


vácuo


vácuo

vaga vasta
vivos vãos
variante vacilo
vácuo

ventos virão
virarão vendaval
valentes vertentes
varrerão vilipêndios
varrerão vilanias
vereis

vacas vadias
visitarão vossas várzeas
vossos vales verdejantes
virão vorazes
venderão vaginas
valendo vagos vinténs

vegetarão velhos
valsando vertigem
virando voltas
vomitarão verdades

vaga vasta
vivos vãos
variante vacilo
vácuo

vários viventes
venerarão vagabundos
vândalos vampiros
venderão votos
valendo vagos vinténs

vosso veneno
vacina viral
vossos vermes
voarão velozes
vomitarão verdades

ventos virão
virarão vendaval
vereis

sacharuk

ventania-chuva-cabo-frio-ciclone

Laurel

laurel

leu livros 
letras lúcidas 
legítimo lume 
louca lira 

libertou lindas luas 
lavrando léxico 

livre 
lançou linhas 
labirintos ligados 
limpou lama 
lágrimas 
lamúrias 

levantou leve 
liso leito 
lúgubre luz 
luziu lapsos 
logo 
logrou louros 

longe 
longínquo 
levitou 
literatura livre 
lírica lápide 

sacharuk

aço


aço

anda assim
a alma
anda afora
ainda alquebrada
amargura aliviada

anda assim
a alma
animal alado

anda agora
alçada aos ares
arremedando as aves

alça as alturas
até a atmosfera azul
até arcos abertos
aplaudirem ao Apolo
a avermelhar
a aurora ametista

até anoitecer
anda assim
a alma
ainda acordada
abandona a armadura

as aspas abolidas
alíneas
artigos abreviados
abona aos apóstrofos
argumentos acumulados

a alma atada
ao aço
agora admite
arrebentar as algemas

 sacharuk
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carbonos coloridos



comandante corporação chegou conduzindo camburão cheio com criaturas com capacetes. Camburão carregava caixote contendo centenas carabinas. Cão cheirador chegou crispado, cheirando calças, cheirando chinelos, cantos, caixas. Confederados chegaram chutando cadeiras, conferindo coisas,  cara cara com Catilinas. Cão cheirou cozinha, cheirou copa, cheirou congelador contendo carne cozida congelada, cheirou cama, carpete. Catilinas, conquanto calado, continuava calmo. Cão cheirou caixinha condicionada com charmoso cadeado cintilante. Comandante corrompeu cadeado conferindo conteúdo coberto com celofane. Conduziram Catilinas chegando cadeia central. Certamente conseguira condenação. Caiu cana condenado com caixinha contendo cinco centigramas carbonos coloridos.

"carbonos coloridos

cada canalhice
conduz consequência
converte castigo

conheci cada cristo
cada capeta
cada canhestro
com carinha contente
com consciência certinha

cada canalhice
conduz consequência
converte castigo

conheci cafajestes
comungados com crentes
com coxinhas
capitalistas
conquanto comunistas
comiam criancinhas

canto certas coisas
com coração cortado
chamuscando cabeça
com carbonos coloridos
com carinhos
civilmente condenados

cada canalhice
conduz consequência
converte castigo"

sacharuk



caprichosa cura

caprichosa cura

carecia contar certos causos
com considerações concernentes
contos contados
com conclusões certeiras

carecia conhecer ciências
considerações coerentes
conjugar conhecimentos
com coisas convincentes

carecia cativar corações
costurar cortes
curar convalescenças
conduzir crenças
com carinhoso critério

carecia cantar
comovente canção
com cuidado
caprichosa cura

carecia companhia
câmara com cordas
colorida com clarinetas
contrabaixos
cítara
címbalos
condução competente

carecia conjugar
coisa com coisa
crença com conhecimento
ciência com coração.

sacharuk




sorvida


sorvida

sublime
sobreveio seu sabor
salpicado suor
silvestre salgado
salsa
sálvia

seu sexo
selou sensações
singular sinfonia
sem sentido
sem sequência

seu sorriso
simulou sinos
soou sincero
somente sorriso
simplesmente satisfeito

sacharuk


3 
ilustração: Mihály Von Zichy

ave

ave

alavanca as asas
a alma aberta
assemelhada
a astuta ave

afugenta
as algias atemporais
arfantes assombrosas
alternam arghs, ais

aparta
acabrunha a asinha
abaixa as abas
assustadas
altiva, aparta

aposenta analgésicos
aspirinas
apoios abalizadores
ardentes assustadores
a atmosfera abafadiça

alto
abaixa as armas
abainhadas
assegura a alma
alçada ao amor
ao alto

algo arriscado?

apenas abre as asas!

sacharuk


não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.