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brasilidade

brasilidade

cidadania de merda
atrai moscas da peste
influencers da internet
e uma praga de ismos
fascismo lulismo batismo
num carnaval de enganos
idiotas bozoloides milicianos
entre lições da anita
que mostra que um grande artista
trepida as bochechas do ânus

wasil sacharuk



encosto

A imagem do demônio não é mais do que uma representação do inconsciente coletivo para um processo no qual o homem transfere para o mito toda a maldade que existe dentro de si. Dessa forma, fica o capeta responsabilizado pela parte maléfica do ser. Trata-se de um mito útil, porque lembra ao homem a sua própria animalidade, na forma de seus instintos básicos, isto é, aquela parte humana que não tem nada de divina. É justamente pelo cultivo do ódio , da agressividade e da manutenção da freguesia das igrejas que o mito encontra forças para sobreviver.

encosto 

       seria apenas um anjo caído
       o signo do mal arquetípico
       bicho terrível malvado e feio 
             a ele deste o dom metafísico 
             e o nomeaste princípio ativo 
             culpado da dor e do vício 
      razão dos teus hábitos sorrateiros 

 wasil sacharuk




astrofísica

astrofísica

ela lê poesia
no canto ensolarado
da janela

as rimas ricas
metáforas belas
suas relíquias
mundo encantado
e suas quimeras

ela intui a mensagem
que vêm das estrelas

sacharuk





mergulho

mergulho

quando morrer o dia
estarei louco
doido varrido
louco da poesia
afogado e perdido
na maré das verdades

sacharuk



gosto para tudo

 há gosto para tudo... já dizia uma véia


amor e confinamento

amor e confinamento

semente de laranjeira
até que brota faceira
se semeada ao acaso
porém cresce pequena
cultivada em vaso

eu queria dar a ela
o reino do grande prado
onde o silêncio é absurdo
para que vingasse inteira
e amor de sina campeira
para benzer os seus frutos

wasil sacharuk



estio



estio

vertente sem graça
sem força deságua
eis que o tempo sangra
nascentes escassas
quando a poesia
descansa na foz

tal as pedras antigas
as palavras frias
são só pó e ruínas
ao espelho de sol

sacharuk



para somente existir

para somente existir

sou necessariamente
tudo o que sou
do jeito que sou
ente genuíno
ato puro equivalente
ao que dizem divino

sob minha casca
tenho a razão suficiente
o fundamento do nada
o apriorístico universo
tal bloco de rascunho
sobre a mesa da possibilidade
de ser eu no mundo

sou na verdade
o poder vir a ser
não há outra causa
para somente existir

wasil sacharuk



magnetismo animal



magnetismo animal

ela oferta uma veia
quando a cobra imóvel olha
a língua torta serpenteia
enquanto seu cu chacoalha

wasil sacharuk



meus óculos precisam de lentes

meus óculos precisam de lentes

andei
e não cheguei
a lugar algum

tal o caetano
há tantos anos
perdi o lenço
os documentos
agora espero
que o tempo vente

metabolizo poesia
e decerto não poderia
fazer diferente
não me leves a mal
meus óculos de grau
precisam de lentes

estive em busca de mim
e no fim
estive ausente
andei de frente para trás
andei de trás para frente

acho que sei
como funciona
o processo da mente
que agrega valor
e arquiva seus bytes
em rabiscos de amor
num beat eloquente

andei e não cheguei
a lugar algum

na última vez que veio ao sul
meu saudoso amigo raul
baixou no meu terreiro
bebeu da minha marafa
e ainda roubou meu isqueiro

está circunscrito
na estrofe inicial
e nas subsequentes
melhor não ser aflito
achar tudo normal
e se dar por contente

wasil sacharuk



violetas viradas

violetas viradas

o quarto bagunçado
da porta entreaberta
e o trinco emperrado
da janela arrombada
as violetas viradas
clamavam cuidados

havia o corpo estirado
havia a cama desfeita
brinquedos espalhados
por todos os lados

sobre o tapete
manchado vermelho
no coração magoado
estilhaços do espelho

tampouco eu ligava
eu nada sentia
eu só revelava
a história que eu lia
numa fotografia

sacharuk

oráculo da dor



oráculo da dor

a primeira dor a gente sente
após a segunda ou terceira
é a dor que sente a gente

sacharuk

espilicute



espilicute

espilicute
das cores silvestres
e sabores sutis
a paixão repercute
se a razão arrefece
sob teus flertes
e teus toques gentis

wasil sacharuk



vladimir


vladimir

bailava detrás da janela
Vladimir calçava chinelas
um shortinho colado estranho
 parecia até bem contente
ainda que o humor escondesse
a brancura dos dentes

triunfou nos esportes
era amante das artes
um amor sobretudo ferino
amor entretanto contrário
amor ao poder solitário
de subjugar pela morte

wasil sacharuk

no jardim


no jardim

amo -te ao relento
logo ao sol tu convéns
jorrar cores em feixes
de calor alimento

wasil sacharuk



o duende

o duende

não deixa-te morrer
ao jugo do duende bostonaldo
garimpeiro da planície
rumpelstilsken do planalto
capitão da milicia
dos soldados dos abostados
dos crentes e das carniças
o chupacabras
da alma do gado

wasil sacharuk



Sakuras caídas ao chão

Sakuras caídas ao chão

Tão logo a tormenta deu trégua, a camareira do Hotel Campanile não desejou voltar para casa e preparar o jantar para Jonathan. Dessa feita, escolheu percorrer a alameda do parque Stanton. Seguiu lépida alternando os passos revestida de tanta verdade que pouco percebeu as adoráveis cerejeiras caprichosamente dispostas à margem. Seus sapatos lamacentos chafurdaram nas poças e maceraram as flores, tal sakuras caídas ao chão, emolduravam o caminho. Melissa, aos quarenta e um anos, aprendeu a não deixar-se quedar ao descontrole de qualquer paixão.

Ainda que satisfeita, restou tanto confusa, enquanto arqueou o cantinho direito da boca cor-de-rosa desenhando meio sorriso divertido. Até mesmo aos intuitivos e aos determinados, a malha tramada pelo destino envolve condições inesperadas. Ela que, invariavelmente, reluta em subordinar sua liberdade aos estados depressivos da alma, rende lealdade aos próprios sonhos e somente a estes é devedora.

Sentimento avassalador é evento raro na rotina da mulher, que logo soltou os cabelos e seguiu. Nada mais cansativa do que a indiferença e por isso desejou o vento gélido a mesclar seus cachos negros aos poucos fios brancos que surgiam tal tímidos intrusos. Permitiu sem culpa que o livre drapejar da longa saia descobrisse brevemente uma porção generosa das coxas morenas. Naquele dia, pouco importaram as consequências. Destemida, desprezou as penas da mentira.

Ao final da alameda, Melissa adentrou o bosque e, diante do córrego, apressou-se em afogar as parcas razões na umidade quente de outra boca. Percebeu cada músculo tenso despencar ao aperto firme daquelas mãos grandes em suas nádegas. Não havia tempo a perder.

wasil sacharuk

www.inspiraturas.org

rasgando e reunindo

rasgando e reunindo percorro minha vida a te navegar pelas águas que pairam a me refletirem e desbravo-te pelo louco querer o laço da tua vi...