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apocalipse aos ninguéns 🐂

apocalipse aos ninguéns

no derradeiro minuto
do dia último
ouviu- se o apito
o diabo vestia candura
a cansada sofia
caiu no conto do sofista
sobre a ressurreição do mito
a moral abraçou a falcatrua
a graça esqueceu a poesia
a sorte desprezou a fortuna
a lua perdeu-se na rua

mas nenhum dos ninguéns
na face da terra
acometeu-se do ímpeto
sequer tomou susto
pois o genuíno ninguém
mantém-se um estúpido

wasil sacharuk



lunática

lunática

entrecruza olhares
com espíritos da floresta
conversa com pedras
ama saber- se ouvida
seus pedidos atendidos
suas ideias compreendidas

as águas do aconchego
assoalham seus passos
bailarina no espaço
refugiada na nudez
repleta de poesia
minguada de sensatez

wasil sacharuk







flores de sexta-feira

flores de sexta-feira

falo com as paredes
escuto suas palavras
observo impressões
e nessa à direita
uma passagem estreita
ao jardim encantado

lá colhes orquídeas
e as flores esquizofrênicas
de sexta-feira

se a lua incide faceira
ilumina a câmara pela janela
emoldurada pela cortina
a parede branca é a tela
e as nossas mãos
imitam o voo das aves meninas

wasil sacharuk



para te versos

para te versos

a noite é companhia
portanto não ando sol
tenho o corpo nuvens
e minha alma lua
transmuta poesia

wasil sacharuk




da contradição

da contradição 

a religião
morde teus pés
bocarra faminta
igual jacaré
parece absurdo
decerto não é
o humano animal
no templo de cristal
com cruel pretensão
ostenta a compaixão
mas trata desigual
em nome da fé

wasil sacharuk



menina frente ao espelho

menina frente ao espelho

doce menina
diante do espelho
derrama cascata
despenca melenas
ensaia às dezenas
atrevimentos e beijos
tão logo carimba
os lábios vermelhos

exótica dança
meio sem jeito
humor que balança
os maduros peitos
menina poesia
parece criança
de ingênuos trejeitos

eis que elas
todos os dias
faz as cortesias
para um dia perfeito

wasil sacharuk



sakura

 sakura


quebradiço o galho
que suspende a existência
eis que o tempo
envolve a efêmera flor
em transitória delicadeza

ouve  que o destino clama
a perecer tuas pétalas
ao chão do bosque copado
derrama nas dores humanas
teu aroma perfumado

floresço a ti com ardor
sakura amada
a esperança confiou-me o nome
e o empenho das madrugadas

assim um só seremos
no parque das cerejeiras
eis que o tempo
envolve a efêmera flor
recria o espaço das certezas

wasil sacharuk



clichê de outono

 clichê de outono

eles passam sequer reparam
a folha seca flanando suave
quando despenca da árvore

maldizem a noite de frio
os pingos gelados da chuva
praguejam ao contratempo
das mudanças de temperatura

não veem que o outono é feito
com nuanças de poesia
e tons sépia de cura
que o silêncio da melancolia
convida a dançar na rua

wasil sacharuk



clichê de outono

clichê de outono

eles passam sequer reparam
a folha seca flanando suave
quando despenca da árvore

maldizem a noite de frio
os pingos gelados da chuva
praguejam ao contratempo
das mudanças de temperatura

não veem que o outono é feito
com nuanças de poesia
e tons sépia de cura
que o silêncio da melancolia
convida a dançar na rua

wasil sacharuk



carne

carne

sacrificar meu escroto
decerto sequer eu tento
a lógica dos argumentos
me proíbe de ser egoísta

bendita fêmea seccionada
servida em parcas partes
a fome lírica sofista
instintivamente saciada

os loucos                 esses sim!
podem morder a própria carne

amor
precisas saber
salteado e de cor
loucura e amor
é uma coisa só

os loucos                 esses sim!
podem morder a própria carne

wasil sacharuk



o velho boga acentuado

o velho boga acentuado

meteu com tudo
um acento agudo
no u do seu boga
o oxítono dolorido
ortograficamente ferido
consultou o gramático sisudo
falou que no cu não se bota acento
a menos que o cú referido
seja por força de xingamento

wasil sacharuk



🌹 sexy floral 💐


🌹 sexy floral 💐

menina linda inspira
e venta brisa do mar
para assaltar os seus poros
juro que não é mentira
o que eu quero cantar
cá nesses versos canoros🎵

menina linda tatua
uma nuvem carregada
enquanto chove lá fora
e ao espelho ela pinta
beiço vermelho de amora 💋
mestre na arte das tintas
encantadora encantada

menina linda visita
os animais no quintal
para tanger as galinhas 🐔🐤
e logo apara o jardim
veste o sexy floral
depois procura por mim
no terreiro do vizinho
na laranjeira o pardal
um dia desses fez ninho

menina linda é linda
por isso é tão amostrada
e se ela vive sozinha
quero que deite comigo
na minha rede cheirosa
eu quero ver a sua linha
que desce desde o umbigo
até achar sua rosa

menina linda inspira
a noite inteira provar
os sonhos deliciosos
juro que não é mentira
o que então quis cantar
cá nesses versos canoros🎵

sacharuk



macambúzio


macambúzio    

o olho mareia
    a garganta entala
     mar revolto embala
              os grãos de areia
    a letra goteja palavras
palavras rebrotam mancheias
            o livro da vida se cala
a música engasga colcheias
   o sonho morre de fadiga
e o tempo tem falta de ar
 o vento assovia cantiga
  para a tristeza chorar

                wasil sacharuk

The old guitarrist - Pablo Picasso




vórtice ascendente

 vórtice ascendente

tremia corpo inteiro e assaltavam os poros toda vez que espocava faísca no cérebro. espiralada no ventre, a serpente maior que jibóia, menor que sucuri, verde, tal as algas. náusea não cabia, apenas a necessidade de chorar sem emoção, falar sem razão. mudava de pele a feiosa. naquela hora, a gosma viscosa desprendia da nojenta e ela, silenciosa, não se movia. despertar era o que queria. cada vez que a eletricidade percorria a espinha, impulsionada por forte assopro, a carne revirava ao avesso. quando acordou, nada de sobrenatural aconteceu, nada de dor, nada de medo. ocorreu que aquilo o que já se sabia passou a morrer. sem apegos e sem assombro.  apenas certezas transmutadas em escombros.

sacharuk






o descrente

o descrente

A razão, ainda que sobrepujada, é imbatível. A consciência, ainda que ultrajada, é inevitável. No confronto com a solidão um homem achou a inexistência divina, quando nenhuma criatura se apresentou para ocupar a vacância dos espaços e amainar as dores inexplicáveis. Finalmente entendeu que a crença é o indeclinável compromisso de enfiar um deus em todas as coisas. Subterfúgio humano institucionalizado. Sobrava ao referido deus a crença que faltava aos filhos, que faltava à árvore antiga, ao sorriso desdentado do seu avô. Era desperdício de foco. A crença passava dia todo sentada num trono comandando facções criminosas sob a adoração dos seus escravos. Morava nos parágrafos das deontologias que entoavam discursos medievais ao domínio das massas. Tanta súplica pela salvação dirigida a um deus surdo. Tal homem, agora, apenas admira aqueles vitrais cortados por feixes de luz e a persistência daquela poeira oculta nas sombras dos templos. Sabe ele que os artistas são deuses extraordinários, artífices das coisas belas, da música, da poesia, da pintura, da escultura. Nos signos da criação se guarda o verdadeiro embrião de divindade. Entendeu que o amor não é monopólio das crenças e é a chave que abre todas as portas. Agora ele é realmente feliz, sem nada pedir, sem nada dever.

sacharuk



poesia não vale a pena

poesia não vale a pena

para quê presta poesia?
tenta comer um poema
decerto terás azia
caganeira e outros problemas
insônia e talvez anemia
poesia não vale a pena

ninguém compra poesia
vá procurar outro tema
dinheiro fofoca putaria
logo tu entras no esquema

vira-te contra a poesia
deixa de contar fonemas
sai dessa vida vadia
ocupa-te de coisas plenas
livra-te dessa porcaria
porque vai dia e vem dia
e a poesia não vale a pena

sacharuk




caboca

caböca

cabõca sabe que o mar
apaga o fogo da terra
que a lua que brilha na serra
também movimenta maré

cabõca tem pé jenipapo
e tem outro pé canindé
carnaúba cerrado banana
tem coco tem sede tem fé

cabõca tem nome de ana
alice francisca maria 
tem maracatu tem poesia
na festa de são josé

sacharuk

Paróquia Menino Deus - Itatira CE


pandorga

pandorga

menina tu sabes
o que é uma pandorga?

é uma singela armação
em formato de losango
cuja base é uma cruz
de duas varetas
de taquara ressecada
recobertas por fina folha
de papel encerado
docemente planificada
em vivas cores
completada por inquieta rabiola
em tiras de trapos velhos
emendados uma à outra
feito amor divertido

do centro da engenhoca
a linha de barbante fino
e estende por metros
e segura na mão de um mago
voa tal ave colorida
abrindo portas no céu

e tu menina dirias
que quando pandorga voa
é exótico passarinho
com asas de poesia

sacharuk








www.inspiraturas.org

rasgando e reunindo

rasgando e reunindo percorro minha vida a te navegar pelas águas que pairam a me refletirem e desbravo-te pelo louco querer o laço da tua vi...