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caboca

caböca

cabõca sabe que o mar
apaga o fogo da terra
que a lua que brilha na serra
também movimenta maré

cabõca tem pé jenipapo
e tem outro pé canindé
carnaúba cerrado banana
tem coco tem sede tem fé

cabõca tem nome de ana
alice francisca maria 
tem maracatu tem poesia
na festa de são josé

sacharuk

Paróquia Menino Deus - Itatira CE


pandorga

pandorga

menina tu sabes
o que é uma pandorga?

é uma singela armação
em formato de losango
cuja base é uma cruz
de duas varetas
de taquara ressecada
recobertas por fina folha
de papel encerado
docemente planificada
em vivas cores
completada por inquieta rabiola
em tiras de trapos velhos
emendados uma à outra
feito amor divertido

do centro da engenhoca
a linha de barbante fino
e estende por metros
e segura na mão de um mago
voa tal ave colorida
abrindo portas no céu

e tu menina dirias
que quando pandorga voa
é exótico passarinho
com asas de poesia

sacharuk








de tudo o que te pertence

de tudo o que te pertence

o vento minuano
pronunciava teu nome
soprava leveza em minha face
sussurrava verdades
ora contava segredos

o vento minuano
atendia aos apelos
embalados no tempo e no espaço
sua mão abria verdades
sua mão fechava os segredos

das noites
de tudo o que te pertence
por natureza e legitimidade

o vento minuano
cantava-te em versos
por inspiração e vaidade
tua voz contava vontades
minha voz cantava meus medos

o vento minuano
vertia-te da pele
banhado na luz intensa
teu ventre jorrava vontades
meu ventre vingava meus medos

das noites
de tudo o que te pertence
por natureza e legitimidade

sacharuk


haicai#13

haicai#13


enquanto não colhes
a natureza te ama
e te deixa dormir

sacharuk



haicai#12



não precisa visto
a formiga fronteiriça
sequer passaporte

sacharuk


haicai#11

um beijo é pouco
precisa muita saliva
a regar a rosa

sacharuk



haicai#10

boca de vento
e ouvidos de maré
que dançam na lua

sacharuk



haicai#9

tua alma guarda
surpresas e os encantos
tudo e além

sacharuk


haicai#8

engodo e magia
a cortina de fumaça
brumas de poesia

sacharuk



haicai#7

nosso amor profundo
de água vento e areia
é chão no oceano

sacharuk




haicai#6

eu chovo tristezas
quedam as águas na terra
salgando o meu chão


sacharuk





haicai #5🚫

haicai #5🚫

presente oculto
de energia a vibrar
futuro irreal

sacharuk



haicai#4

haicai#4

um verde criança
o cíclico movimento
outra estação

sacharuk

street mural by Styler






haicai#3🦅

haicai#3🦅

o tempo é réu
desse deserto de ter
outra despedida


sacharuk




haicai#2🦅

haicai#2🦅

todos os anos
a gratidão ao outono
livre recriação


sacharuk



haicai#1

haicai#1

Plata dos amantes
de Argentina milonga
e tango em Corrientes

sacharuk





das alturas


das alturas

enfrento as forças que ameaçam
desvio de ondas que não banham
das razões
a que eu desconheço
morro nas tramas que me apanham

são tantos ares
eu nem respiro
em tantos lares
eu já não entro
invado espaços que nem habito
moro em zonas que não frequento

viajo alturas que não alcanço
trago loucura para o remanso
sou prisioneiro da liberdade

de asas seguras
eu não canso
a vida é dura
eis o encanto
não é utopia a felicidade

sacharuk





A Centopeia Dividida




A Centopeia Dividida

Tatuzinho era bruxo malvado 
e discutiu com a centopeia 
daí teve a péssima ideia 
de fazer um feitiço irado

Ficou escondido na areia 
praticou o ato mais feio 
seu feitiço dividiu ao meio 
e fez duas cinquentopeias

A abelha testemunhou tudo 
da porta da sua colmeia 
e convocou uma assembleia 
para tratar desse absurdo

Aquele tatuzinho era insano 
muito famoso em toda aldeia 
esperava a noite de lua cheia 
para traçar os seus planos

As cinquentopeias medrosas 
decidiram permanecer unidas 
mas estavam muito perdidas 
e nem se entendiam na prosa

Sob as penas de uma galinha 
o Piolho Velho era a liderança 
comentou que havia esperança 
se chamasse a dona Joaninha

Joaninha era boa feiticeira 
e talentosa na matemática 
decerto conhecia a prática 
de fazer centopeia inteira

Então a bruxinha competente 
com toque de magia esperta 
refez a centopeia completa 
e os bichos ficaram contentes

E o malvado do tatuzinho? 
Ah! Ele é muito teimoso 
em vez de ser mais amoroso 
prefere viver sempre sozinho

sacharuk






desisti de ver o céu, Bob

desisti de ver o céu, Bob 

Bob, as velhas cruzadas
foram partilha de estradas
doce esteio de poesia
nosso norte era o dia
da consciência iluminada 

tua voz viajou na lufada
encheu minha vida vazia
sem culpa e de alma nua
escriba de versos na lua
não carecia mais nada 

o vento virou de repente
arrancou nossos cabelos
enquanto caíam os dentes
perdeu toda a simplicidade
murchou a flor da idade 

por isso, parceiro, te digo
serás sempre caro, amigo
mas agora o que importa
é a segurança no abrigo
passar a chave na porta 

agora eu não sonho mais
nem quero olhar para trás
desisti daquelas promessas
e hoje procuro às avessas
outro conceito de paz 

o mundo é carga pesada
e a vida levada na marra
banal e tão desfilosofada
ninguém ouve tua guitarra
nem mesmo remasterizada 

mas resta alguma saudade
entre o desejo e o lamento
escuto o murmúrio do vento
cantando aquelas verdades
que foram perdidas no tempo

sacharuk





fada borboleta

fada borboleta

ela queria somente
ser fada de asas abertas
e nos tempos quentes
voar tal borboleta
quando o dia arrebenta

decerto que pousaria
no dorso da minha mão
para sonhar poesia
uma bela adormecida
tanto mais atrevida

e assim eu me renderia
ao poder da sua mente
ao jugo da sua guarida
às emanações coloridas
das asas resplandescentes

sacharuk



falo do mundo

falo do mundo

ignoro-te
catarse poética
pois o poema
quando arrebenta
irrompe epiléptico
canais entrecruzados
fumaça de orégano rosa
influência de boa prosa
e memórias da alucinação

sou vivente
de bom coração
mas não carrego
alma bucólica
provo da náusea
do cotidiano
com natural sofreguidão
risco versos cibernéticos
ensaio virtual estrambótico
de fundamento insano
e algum desfecho caótico

improviso o intento
de confessa manipulação
fantasia sofismo retórica
travestido de argumento
de umbigocêntrica sedução

meu poema tem rubrica
e não é isento
de posição

sacharuk



o poiso dos meus colibris

o poiso dos meus colibris

beijar tuas flores sem bris
foi isso que sempre eu quis
assim fiz fraquejar calafrios
e poisar sobre ti os colibris

beber do teu néctar no céu
com margaridas e flordemel
vermelhas rosadas cordelis
desamores incolores e anis

na secura de um galho senil
espinhei meu poema sombrio
a esperar os teus versos gentis

de seiva e de tronco e de fel
de pólen espargido em papel
me fizeste deixar de ser gris

sacharuk

sabedoria secular

sabedoria secular

nada tão obscuro
tal abismo profundo
nasce na pupila dos olhos
dos nossos cus

disse um velho
acerca do ego

sacharuk


pífano perdido

pífano perdido

pronto! pachorra paz
perdia ponto
perdia prumo

perseguia prudência
pedia providência
pedia perdão
pelos pecados

precisava paciência
passos perseverantes
parcimônia planejada
para partir paradigmas
para provar perspectivas

perspicaz
prescindia pensamentos
profundamente peculiares
particularidades pueris
palavras pescadas
para parir poesia

possuia
plenas prerrogativas
planejava propósitos
perseguia prodígios
porquanto procrastinava
produções pragmáticas

pretendia persuadir
provar pleno poder
preconizando premissas
pronunciando paradoxos

por pura pressa
produzia pensamentos
promíscuos
palavras portavam
perfídias perdidas

pronunciava
preditivas prosas
pareciam presságios
perversos
pessimistas
perplexos

pedia pela paz
pedido porém
pairava pretérito
ponderava preceitos
parecia pífano perdido
propagando pífios prelúdios

sacharuk


mana

mana

mana, algo tão diferente
senti junto a mim
pela noite silente
tocaia da lua minguante
fiat lux no meu abrigo

creias no que te digo
hoje todos viram luzes
por detrás das cruzes
iluminando as pedras
e criaturas estranhas
vindas de outras eras

mana, minhas ideias
são meras quimeras
ou tolices tamanhas
apenas em outras esferas
podem ser entendidas

em nossas distintas vidas
cruzamos as mesmas estradas
paramos nas mesmas paradas
trilhando o curso dos amantes
tão livres
tão claros
e distantes

hoje vi os caminhantes
andando depressa
carregando pastas negras
e via de regra
vi os meninos da vila
que fica aqui ao lado
queimando uma vela
dançando sem camisa
no estacionamento 
do supermercado

mana, um dia ensolarado
estará chamando por nós
com seus raios energizados
quentinhos de felicidade
a secar as poças nas ruas

mas se chegar nova lua
nesse canto da cidade
por onde eu ando sozinho
te direi da necessidade
de contar com teu carinho

sacharuk




versos de premonição

versos de premonição

 lembro do nosso tempo
debruçado à janela
que vigia teu quarto
verto sangue em poesia
e minhas supernovas
guardam teu sono

flanam palavras singelas
lembranças aleatórias
dos contos de sherazade
outras belas estórias
que contaste pelos campos
ou deitada na tua canoa
sob o voo das garças
as brancas e as pardas
e os martins-pescadores

algumas marcas deixadas
pelo açoite das dores
reunem dois oceanos
podem arder na fogueira
das pupilas distantes
assim morrem no arcano
do teu olhar diamante

contemplo tua dança
aos demônios de um rito
respostas aos sonhos
em vermelho escritos
nesses versos infinitos
da minha premonição

 fala o nosso tempo 
em poema e canção
acerca das flores
e do cão no quintal
 derramo as sementes
que brotam a ti 
e todas as coisas
que te pertencem

cala o nosso tempo
queda a era sem nome
e perpetua seus signos
tatuado em setembros
que descansam solenes
sob um solo de orquídeas

sacharuk



Rosa Elétrica "Jazigo das orquídeas" (sacharuk-moskito-mathus)

presságios escritos nas paredes

presságios escritos nas paredes

cultivo nos dias
negras orquídeas 
no parapeito da janela
na moldura do vale
confino poesia
nos presságios 
escritos nas paredes

sacharuk




www.inspiraturas.org

o descrente

o descrente A razão, ainda que sobrepujada, é imbatível. A consciência, ainda que ultrajada, é inevitável. No confronto com a solidão um hom...