Pesquisar...

algoritmo


algoritmo

por detrás da minha face
ninguém sabe meus intentos
todas coisas que eu penso
todas coisas que eu sinto

não sabem dos artefatos
que jamais serão usados
minha prece ao oceano
em silêncio desvelado

e não podem ver as ruas
os saraus onde eu estive
meus versos aleatórios
pelo algoritmo d'alma

não vislumbram os vestígios
se rios quedam dos olhos
nem percebem o concreto
que comporta as vertentes

também não veem o sangue
que escorre das feridas
desconsideram os medos
cimentados nas paredes

e são cegos para as sombras
quando iludem a visão
misturadas às penumbras
traçam minha intuição

até tentam ver a lua
onde vive a solidão
meus versos aleatórios
pelo algoritmo d'alma

não vislumbram os vestígios
se rios quedam dos olhos
nem percebem o concreto
que comporta as vertentes

não entendem quando a dor
se esconde sob a pele
e não falam o dialeto
os subterfúgios da mente

jamais podem flagrar nuas
minhas musas eloquentes
e meus versos aleatórios
pelo algoritmo d'alma

sacharuk




não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.