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sakura

sakura

quebradiço é o galho
que suspende a existência
eis que o tempo
envolve a efêmera flor
em transitória delicadeza

ouve o destino que clama
a perecer em tuas pétalas
ao chão do bosque copado
derrama nas dores humanas
teu aroma perfumado

floresço a ti com ardor
sakura amada
a esperança confiou-me o nome
e o empenho das madrugadas

assim um só nós seremos
no parque das cerejeiras
eis que o tempo
envolve a efêmera flor
recria o espaço das certezas

sacharuk

painting by Lilian Patrice



não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.