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pandorga

pandorga

menina tu sabes
o que é uma pandorga?

é uma singela armação
em formato de losango
cuja base é uma cruz
de duas varetas
de taquara ressecada
recobertas por fina folha
de papel encerado
docemente planificada
em vivas cores
completada por inquieta rabiola
em tiras de trapos velhos
emendados uma à outra
feito amor divertido

do centro da engenhoca
a linha de barbante fino
e estende por metros
e segura na mão de um mago
voa tal ave colorida
abrindo portas no céu

e tu menina dirias
que quando pandorga voa
é exótico passarinho
com asas de poesia

sacharuk









não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.