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o descrente

o descrente

A razão, ainda que sobrepujada, é imbatível. A consciência, ainda que ultrajada, é inevitável. No confronto com a solidão um homem achou a inexistência divina, quando nenhuma criatura se apresentou para ocupar a vacância dos espaços e amainar as dores inexplicáveis. Finalmente entendeu que a crença é o indeclinável compromisso de enfiar um deus em todas as coisas. Subterfúgio humano institucionalizado. Sobrava ao referido deus a crença que faltava aos filhos, que faltava à árvore antiga, ao sorriso desdentado do seu avô. Era desperdício de foco. A crença passava dia todo sentada num trono comandando facções criminosas sob a adoração dos seus escravos. Morava nos parágrafos das deontologias que entoavam discursos medievais ao domínio das massas. Tanta súplica pela salvação dirigida a um deus surdo. Tal homem, agora, apenas admira aqueles vitrais cortados por feixes de luz e a persistência daquela poeira oculta nas sombras dos templos. Sabe ele que os artistas são deuses extraordinários, artífices das coisas belas, da música, da poesia, da pintura, da escultura. Nos signos da criação se guarda o verdadeiro embrião de divindade. Entendeu que o amor não é monopólio das crenças e é a chave que abre todas as portas. Agora ele é realmente feliz, sem nada pedir, sem nada dever.

sacharuk



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rasgando e reunindo

rasgando e reunindo percorro minha vida a te navegar pelas águas que pairam a me refletirem e desbravo-te pelo louco querer o laço da tua vi...