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A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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brechó

brechó

                  deliciosa
é a ridícula sensação
     de viver apaixonado
não foi melhor explicado
              o poder da mente
tatear um corpo distante

                            e o tesão
desvenda percursos insólitos
disfarçado em roupas esquisitas
       fetiches estrambóticos
  sussurra línguas mortas
                       bebe saliva

                         e o amor
  é o velho transviado
fumando canabis sativa
        colecionador de selos
desmanchado em develos
enquanto estende a cama
                   para te esperar

sacharuk

painting Lilian Patrice


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