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A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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vórtice ascendente

 vórtice ascendente

tremia corpo inteiro e assaltavam os poros toda vez que espocava faísca no cérebro. espiralada no ventre, a serpente maior que jibóia, menor que sucuri, verde, tal as algas. náusea não cabia, apenas a necessidade de chorar sem emoção, falar sem razão. mudava de pele a feiosa. naquela hora, a gosma viscosa desprendia da nojenta e ela, silenciosa, não se movia. despertar era o que queria. cada vez que a eletricidade percorria a espinha, impulsionada por forte assopro, a carne revirava ao avesso. quando acordou, nada de sobrenatural aconteceu, nada de dor, nada de medo. ocorreu que aquilo o que já se sabia passou a morrer. sem apegos e sem assombro.  apenas certezas transmutadas em escombros.

sacharuk






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