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vórtice ascendente

 vórtice ascendente

tremia corpo inteiro e assaltavam os poros toda vez que espocava faísca no cérebro. espiralada no ventre, a serpente maior que jibóia, menor que sucuri, verde, tal as algas. náusea não cabia, apenas a necessidade de chorar sem emoção, falar sem razão. mudava de pele a feiosa. naquela hora, a gosma viscosa desprendia da nojenta e ela, silenciosa, não se movia. despertar era o que queria. cada vez que a eletricidade percorria a espinha, impulsionada por forte assopro, a carne revirava ao avesso. quando acordou, nada de sobrenatural aconteceu, nada de dor, nada de medo. ocorreu que aquilo o que já se sabia passou a morrer. sem apegos e sem assombro.  apenas certezas transmutadas em escombros.

sacharuk







não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.