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A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sacharuk escreve em inspiraturas.org

🔪💀o feminicídio da cunhã poranga

🔪💀o feminicídio da cunhã poranga

ela bailarinava
tal dama do xadrez
percorria os lados
ocupava os espaços
saltava tantos
de uma só vez

seminua perambulava
descaminhos da noite
ao covil desses homens💀
de brios rachados
e do toque gelado
vergão de açoite

ela dançava
tão linda quanto louca💃
movia a boca
para imitar a toada🎶

era só ela e mais nada
a mais linda da tribo
e não havia sentido
morrer de morte matada

sacharuk

grafite Seth


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