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A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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no dia que entrar a lua cheia

no dia que entrar a lua cheia

permitam-se as borboletas
pousarem nas flores que germino
um sabor desprende da atmosfera
no dia que entrar a lua cheia

riscarei um círculo na areia
não olharei para o relógio
danem-se os danos do tempo
beberei da sutil fragrância
tocada no curso dos ventos
e as nuvens enfileiradas
fundirão suas bordas
formas traçadas de encantamento

no desapego das horas
então deitarei sob o plátano
para escutar um poema
bem dito no bico dos pássaros
a música envolverá o espaço
atrito das ondas na laguna

e se chuva derramar-se plena
percorrerá os cabelos da menina
despencará sobre os ombros
inundará o corpo de essências

sacharuk



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