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A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sacharuk escreve em inspiraturas.org

as mulheres que te habitam

as mulheres que te habitam

quero deitar com essas mulheres
que habitam dentro de ti

com aquela feita de essência
de fé de cura e doença
também com a mulher inteireza
de alma de corpo e beleza
e ainda com a mulher verdade
de humor de desejo e vontades

mas quero deitar todo dia
com a mulher da fatal poesia

sacharuk

Art by Elena Markova

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