A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sábado, 1 de agosto de 2020

Versos sujos

Versos sujos

Quero ser a letra U
do alfabeto erótico
sentir o acento agudo
cravado sem corte

ter a língua enfiada
enquanto os dedos
em ações coordenadas
são arremessados lentos

advérbios de intensidade
socados até o fundo
explodem rimas pobres
recebo do G o sumo

aguentar o porte
e, em galope,
de P ter o rumo

e, assim, em urros
interjeições absurdas
sem noção de tempo
aceitar locuções cruas
gozar versos sujos
saídos de dentro
numa poesia impura.

Dhênova

https://www.facebook.com/dhenovapoeta/


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