A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

versos de néctar

versos de néctar

corpo sim
             de dentro para fora
tal orvalho na aurora
sol em luto
amor em palavra
escorre pelos cantos
                dos muros

verte umidade
quando acontece
o líquido fel                   
          desce do céu
derrete os metais

lindo sim
a pegada e a gana
os sussurros fatais
      o assalto das vontades
        desintegração dos poros

e os corpos
               envoltos pela cintura
bailarinas loucas
     serpentinas impuras
              de livre poesia

a língua pronuncia
     versos de néctar
         plenitudes na boca

sacharuk




Nenhum comentário:

Postar um comentário