A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 24 de agosto de 2020

anel de tucum

anel de tucum

confesso cinzentos medos
ensino-te segredos
do verde chimarrão
do amanhecer ao sereno
e o sol amarelo
a queimar nossos vícios

a noite azul fria
aquece nossa estalagem
quando envolves meu dedo
reluzindo tua graça
na singela inscrição
delicado anel de tucum
para selar compromisso

perpetuo meu nome
no centro da morfologia
que demarca tua nuvem
e depois do café
ainda regas as flores
do meu róseo jardim

e por fim
na lagoa da poesia
eu colho as cores
que te sinto

sacharuk


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