A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 17 de junho de 2020

Soneto em www.inspiraturas.org


OFICINA INSPIRATURAS DE ESCRITA LITERÁRIA – Soneto

Soneto é uma estrutura literária de forma fixa composta por catorze versos, dos quais dois são quartetos (conjunto de quatro versos) e dois tercetos (conjunto de três versos).

Provavelmente criado pelo poeta e humanista italiano Francesco Petrarca (1304-1374), a palavra soneto, do italiano “sonetto”, significa pequeno som ao referir-se à sonoridade produzida pelos versos.

Willian Shakespeare (1564-1616) criou o soneto inglês, composto de 3 quartetos (estrofes de quatro versos) e 1 dístico (estrofe de dois versos).

Posicionamento das rimas:

• Rimas entrelaçadas ou opostas – abba
• Rimas alternadas – abab
• Rimas emparelhadas – aabb

Os versos são geralmente decassílabos, ou seja, compostos de 10 sílabas poéticas, classificados em “versos heroicos” (sílabas tônicas nas posições 6 e 10) ou “versos sáficos” (sílabas tônicas se encontram nas posições 4, 8 e 10).

Graças à combinação das sílabas, o soneto ganha sonoridade.

Métrica

Métrica é a medida de um verso, definida pelo número de sílabas poéticas (ou métricas) que ele possui.

A sílaba poética nem sempre corresponde a uma sílaba gramatical. Na divisão (ou contagem) das sílabas poéticas de um verso, considera-se as emissões de voz do verso como um todo. Além disso, conta-se apenas até a última sílaba tônica do verso. Essa contagem é chamada de escansão.

Observe que as sílabas poéticas ou métricas diferem das sílabas gramaticais, sendo a “escansão”, o termo denominado para indicar a contagem dos sons dos versos, desenvolvida por três regras básicas:

1. Quando há duas ou mais vogais, átonas ou tônicas, do final de uma palavra e do começo de outra, elas se fundem, formando uma só sílaba poética, por exemplo: A-ma-da ar-te (4 sílabas poéticas)
2. Os ditongos são palavras de uma só sílaba poética, por exemplo: meu, céu, viu.
3. A contagem das sílabas é feita até a última sílaba tônica do verso

As regras básicas para a contagem de sílabas poéticas:

a) Só contamos até a última sílaba tônica de um verso.
b) Elisão: quando em um verso uma palavra terminar por vogal átona e a palavra seguinte começar por vogal ou H unem-se as duas sílabas numa só.
c) Crase: fusão de sois sons vocálicos iguais.
Exemplo: es/pe/ra a/ bai/la/ri/na
d) Sinérese: união do hiato em uma só sílaba.
Exemplo: Lan/ça a/ poe/si/a
e) Diérese: divisão do ditongo em duas sílabas.
Exemplo: es/tá/ qui/e/ta
f) Aférese: supressão de vogal no início da palavra: Stamos em pleno mar!
g) Apócope: supressão da vogal no fim da palavra. Val(e)
h) Síncope: supressão da vogal no meio da palavra.
P´ra, c´roa

Regras de elisão das vogais:

átona + átona = elisão obrigatória
átona + tônica = elisão facultativa
tônica + átona = elisão impossível
tônica + tônica = elisão impossível


Assim, além dos versos decassílabos, as formas mais conhecidas são:

Redondilha Menor: 5 sílabas métricas
Redondilha Maior ou Heptassílabo: 7 sílabas poéticas
Eneassílabo: 9 sílabas poéticas
Hendecassílabo: 11 sílabas poéticas
Dodecassílabo ou Versos Alexandrinos: 12 sílabas poéticas
Bárbaros: acima de 12 sílabas poéticas.

Hipotenusa

O traço da mi'a vida hipotenusa
nas rimas mal inclusas nos sonetos
que passa por quartetos dor difusa
na rota que recusa o ângulo reto

No vértice aberto está intrusa
a escrita que desusa o obsoleto
quadrado dos catetos soma escusa
a linha que acusa o longe e o perto

Nem sempre que aperto parafusa
sequer encontro musa nos tercetos
nem sempre que eu tento sou esperto

Nos versos encobertos está confusa
a letra inconclusa pelos ventos
traduz seu comprimento em dialeto.

sacharuk


ou escandido:

Hipotenusa

O/ tra/ço/ da/ mi'a /vi/da hi/po/te/nu/sa
nas/ ri/mas/ mal /in/clu/sas/ nos/ so/ne/tos
que/ pas/sa/ por/ quar/te/tos/ dor/ di/fu/sa
na/ ro/ta/ que/ re/cu/sa o /ân/g'lo/ re/to

E/ no/ vér/ti/ce a/ber/to es/tá/ in/tru/sa
a es/cri/ta/ que/ de/su/sa o ob/so/le/to
qua/dra/do/ dos/ ca/te/tos /so/ma es/cu/sa
a/ li/nha/ que /a/cu/sa o /lon/ge e o/ per/to

Nem/ sem/pre/ que/ a/per/to/ pa/ra/fu/sa
se/quer/ en/con/tro/ mu/sa/ nos/ ter/ce/tos
nem/ sem/pre/ que /eu/ ten/to/ sou es/per/to

Nos/ ver/sos/ en/co/ber/tos/ es/tá /con/fu/sa
es/ta/ le/tra in/con/clu/sa /pe/los /ven/tos
tra/duz /seu/ com/pri/men/to em /dia/le/to

sacharuk

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