A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 17 de junho de 2020

Poesia infantil em www.inspiraturas.org

Poesia infantil

Desde a sua origem, a literatura infantil esteve ligada à educação, com a finalidade de transmitir valores para serem incorporados como instrumento de ensinamento educacional, a serviço da pedagogia.

[...] na poesia, o aprendizado possível se produz pela própria estrutura do poema, que seduz e estimula o leitor fisicamente pelos ritmos e efeitos acústicos e intelectual e afetivamente pelas representações ou vivências que suscita (BORDINI, 1989. p. 63).

Com sua linguagem condensada e emotiva, a poesia toca os pequenos sensivelmente, uma vez que estes têm uma forma particular e diferente do adulto de ver e sentir o mundo, já que também se encontram num processo de construção de seu mundo interior, tal como o poeta ao tecer sua obra.

Aspectos como o vocabulário e as construções sintáticas devem estar em consonância com o público a que se destinam. Devem-se evitar determinados infantilismos, uso frequente de diminutivos, construções sintáticas repetitivas, bem como poemas longos ou o uso de figuras de linguagem complexas.

Outra questão a ser observada é que os textos destinados às crianças recorrem, ainda, ao recurso da ilustração que tem, hoje, um papel fundamental nos textos infantis, facilitando às crianças seu contato com o livro. Na poesia para criança, merecem também atenção o tipo de letra, o papel, o projeto gráfico, o formato, uma vez que tudo isso concorre para a atribuição de sentido ao texto.

Todos os elementos estruturais aliados aos elementos poéticos, lúdicos e mágicos presentes nessas manifestações fazem emergir na criança a sensibilidade, a criatividade, a fantasia e a emoção.

Os temas precisam estar em harmonia com a vivência infantil para que possa cumprir sua função simbólica e só conseguirá cumpri-la, se tiver valor literário, se criar novas linguagens, se respeitar o mundo infantil que tem uma coerência peculiar.

A linguagem deve ser simples, mas bem trabalhada, combinando, na medida certa, os sons, as palavras, as imagens, os sentimentos e as ideias.

A esses recursos conseguiram aliar a melodia, outro aspecto fundamental da poesia, oriundo da sua forma mais primitiva: a música.

Os poemas infantis devem permitir que as crianças brinquem com sua sonoridade, aliterações, repetições de fonemas, rimas, mesmo sem ter domínio do seu significado. O texto poético faz trocadilho, joga com as palavras, ordena-as de maneira harmoniosa e injeta mistério em cada uma delas, de tal modo que cada imagem passa a encerrar a solução de um enigma. As rimas, pobres ou ricas, precisam estar adequadamente empregadas no poema. Seu uso vai depender do efeito que o poeta quer alcançar, uma vez que este está intimamente ligado à harmonia dos sons das palavras. O ritmo, por sua vez, dá cadência e musicalidade ao texto e o efeito que provoca vai depender exclusivamente do modo como o poema é composto. No entanto, é preciso ter clareza que rima e ritmo não constituem o todo da poesia.

É necessário, ainda, desvendar as imagens do poema, contribuindo para que as crianças conheçam a potencialidade dessa linguagem, de forma a despertar sua imaginação e levando-as a mergulhar na fantasia, bem como busquem equivalências de sentidos e novas formas de dizer e de se fazer ouvir. Para isso, é importante dar voz à criança para que ela possa refletir, fazer associações, relações entre a vida, as ideias e os fatos que o texto apresenta e, assim, possa dar significado ao texto e ampliar sua visão da realidade.

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