A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 27 de julho de 2020

Foco narrativo ou ponto de vista - www.inspiraturas.org

“Por certo você adora ler histórias, não é mesmo? Muito bem, a leitura nos traz grandes benefícios: amplia nosso vocabulário, entretêm-nos, amplia nossa competência mediante a prática da escrita, enfim... Nossa! São tantos benefícios que ficaríamos um bom tempo somente falando deles. Pois bem, a partir de agora passaremos a conhecer um dos elementos que compõem os chamados textos narrativos. Para começar, pensemos o seguinte: o foco narrativo é um dos elementos da narrativa. 

Ao lermos uma história, há alguém que desempenha o importante papel de nos contar os fatos ocorridos nela, não é verdade? Esse alguém se chama narrador, mas precisamos saber também a forma da qual ele se utiliza para realizar essa importante tarefa. Pronto! Descobrimos o que é o foco narrativo, ou seja, a forma com que o narrador relata o discurso. 

Ele assume posições e papeis diferentes, os quais podem assim se classificar: 

* Narrador em primeira pessoa – Como podemos observar, se é de primeira pessoa ele participa dos fatos, ou seja, é também um personagem da história. Por esse motivo ele também é chamado narrador protagonista ou narrador coadjuvante. 

* Narrador em terceira pessoa – Assumindo esse papel, ele não participa dos fatos narrados, pois prefere ficar ali quietinho, quietinho. Sabe o que ele faz? Somente observa do lado de fora, para depois nos contar tudo. Assim sendo, podemos dizer que ele se classifica em duas modalidades:
- Narrador onisciente – Pode acreditar: esse tipo de narrador conhece toda a história, até mesmo o que pensam os personagens.
- Narrador observador – Esse, por sua vez, não é tão audacioso assim – ele, ao contrário do primeiro, não conhece toda a história, apenas se limita a narrar na medida em que os fatos acontecem.” 
Por Vânia Duarte//Graduada em Letras// http://escolakids.uol.com.br/foco-narrativo.htm


Foco narrativo ou ponto de vista - adotar este ou aquele ponto de vista de uma história pode torná-la diferente. Logo, o foco narrativo é a escolha que o escritor faz pela visão de qual personagem será acompanhada a história.

Posso usar vários pontos de vista diferentes? - Pode, mas procure deixar isso claro ao seu leitor. O que quero dizer com isso? Se vai trocar o ponto de vista, inicie um novo capítulo ou um novo segmento. É como se a câmera trocasse de dono. Seu leitor saberá disso, mesmo que inconscientemente.

Escritores iniciantes costumam confundir o autor com o narrador. Ou seja, você não é o narrador da história. Mesmo que você faça autoficção e narre uma situação da sua vida. Você estará criando um narrador em primeira pessoa para poder fazer isso. Será uma construção. O narrador nunca é o autor, embora ele possa ser o personagem.

Tipos de narradores, nível narrativo ou “participação do narrador”

Definir qual será a “participação” do narrador em sua história é muito importante. Uma história é o que seu narrador conta. Pode haver um enredo ruim bem contado. E pode se tornar uma grande história. Agora uma história boa com um narrador ruim nunca será boa literatura. Podemos considerar que o maior desafio de todo escritor é criar grandes narradores.

Narrador personagem/protagonista (ou Autodiegético)

Em resumo, ele participa da história e a conta em primeira pessoa. Este narrador tem como sua principal arma a possibilidade de apresentar uma história que depois irá se contradizer. Ou em que o leitor perceba que os fatos não são os apresentados pelo narrador.Esta técnica é comumente chamada de Narrador não-confiável.

Narrador observador/testemunha (ou Homodiegético)

É o narrador fascinado por outro personagem, e que conta em primeira pessoa a história deste outro personagem. Importante: sem ser o protagonista. É o tipo de narrador ideal quando a história gira em torno de um personagem fascinante. Porque você pode torná-lo ainda mais interessante pelos olhos de outra pessoa. Ou deixar o leitor na dúvida se o tal personagem admirado é assim tão bom.

Narrador onisciente intrometido (Héterodiegético)

É como a ideia que temos do Deus bíblico. O narrador onisciente sabe de tudo. Pensamentos, emoções e desejos dos personagens. E é héterodiegético por não ser parte da história. Mas muitas das vezes parece ser parte, pois ele opina, julga, disserta etc.

Narrador onisciente neutro (Héterodiegético)

Neutralidade é sempre um ponto de vista, mas é o que propõe este narrador. É um narrador em terceira pessoa que conta a história sem fazer julgamentos, mas mostrando a consciência de um personagem.

Narrador do discurso indireto livre (Héterodiegético)

O que o Narrador do Discurso Indireto Livre faz é fundir-se ao personagem-foco, mas continuar narrado em terceira pessoa. Ainda assim sendo héterodiegético, não sendo um personagem. É como se ele narrasse tudo do ponto de vista do personagem-foco. Até mesmo usasse suas palavras e símiles, mas seguisse falando em terceira pessoa. O autor abre mão de seu “suposto estilo” para empregar o “estilo do personagem.”Para facilitar o entendimento, um trecho de A festa do bode, de Mario Vargas Llosa, que utiliza este narrador:

“Logo que deixou Román para trás, uma figurinha patética chapinhando no lodo, seu mau humor desapareceu. Deu uma risadinha. De uma coisa ele estava certo: Pupo ia mover céus e terras, soltaria os cachorros para que o problema fosse reparado. Se aquilo acontecia com ele vivo, o que não iria acontecer quando não pudesse mais impedir pessoalmente que a incompetência, o descaso e a imbecilidade jogassem por terra o que tanto esforço custou?”

Qual narrador usar? 

Vais usar regionalismo na linguagem? primeira pessoa.
Teu personagem-foco fará longos discursos? primeira pessoa.
O leitor deve se identificar profundamente com seu personagem-foco? primeira pessoa ou a terceira com o Narrador do Discurso Indireto Livre.
Apresentar seu personagem de fora, como em um filme? terceira pessoa próxima ou distante.
Intercalar suas opiniões com a do personagem? Narrador Onisciente Intrometido.
Prefere baixa identificação entre o leitor e o personagem? Terceira pessoa distante.

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