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A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sacharuk escreve em inspiraturas.org

vive teu isolamento

vive teu isolamento

vive teu isolamento
as feridas de dentro
o lixo toma o mundo
isso é tão duro

abdica ao poder
essa é a hora
é preciso amor
querer olhar para fora
dividir para socorrer

conhece a penúria
compartilha do medo
dos homens simples
sabem que a sina
qualquer dia
sem demora
espreitará da esquina

vive teu isolamento
pratica poesia
oferta ao teu corpo
luz do sol
pandemia de ficar  só
para amanhã estar junto

vive teu isolamento
faz de ti instrumento
de conforto

sacharuk


desambiguação

desambiguação

 "demônio" substantivo
é vocábulo divino
se evocado
na língua maldita
das bruxas

sacharuk

centúria

centúria

      reverenciai              
aos pés da coroa
triste sina
vosso tributo
vergonha e coragem

portos sem ancoragem
desertos nas esquinas
e a noite ecoa            
surdez dos afetos

deitai-vos aos campos
destinos perplexos
donde o obsoleto
na fome da terra  
exultará à tona

suplicai aos ídolos     
aliciai aos árbitros
que nessa nova era
não tenhais vivido
outra vida à toa

sacharuk

seis minutos

seis minutos

a mão espalmada
tem a linha que marca
a passagem
que durou seis minutos
para seiscentos
e sessenta e seis
diamantes brutos
Incrustados poemas
enfeitiçados

sacharuk