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quinta-feira, 26 de março de 2020

Pioggia Gentile - tributo aos amores líquidos - um experimento de poesia sensorial INSPIRATURAS escrita criativa



Pioggia Gentile - tributo aos amores líquidos - um experimento de poesia sensorial INSPIRATURAS escrita criativa

Tratar os versos de um poema de forma sensorial é algo capaz de revolucionar a escrita e conquistar maior envolvimento, atenção e empatia do leitor em relação ao poema. Isso se dá pelo fato de o leitor necessitar calibrar a leitura, ou seja, experimentar sensorialmente os versos que, afastados de uma linguagem linear, causam, à primeira vista, certa estranheza. Assim, os versos pedem por um envolvimento mais qualitativo face à leitura.


A associação de diversas submodalidades sensoriais em um mesmo verso, aumenta as possibilidades interpretativas e o apelo à empatia. Isso resulta numa recepção mais favorável do poema. Além disso, o uso criativo dessas possíveis associações, é capaz de inventar imagens poéticas muito interessantes e charmosas.

Chamamos de submodalidades sensoriais ao resultado da formação do pensamento, ou seja, por quais sentidos físicos o pensamento foi processado ou representado. Qualquer lembrança, vivência ou imaginação de alguma experiência passa por modalidades e submodalidades. Os sentidos (Visual, Auditivo, Cinestésico, Olfativo e Gustativo) são as “modalidades” que usamos para pensar. Assim, as qualidades da experiência sensorial são denominadas “submodalidades”. As imagens mentais, os sons e sentimentos possuem determinadas qualidades. As imagens, por exemplo, têm brilho e cor, os sons têm ritmo e tom, os sentimentos, certa textura e temperatura.
Os nossos órgãos físicos e receptores dos sentidos, fazem com que nosso sistema biológico e neurológico separem e classifiquem as informações obtidas no mundo. Quando dizemos “um saboroso biscoito doce”, obtemos uma imagem trivial e comum, à qual nosso sentido (do paladar, no caso) já está habituado e quase não evidencia o processamento dessa informação. Talvez seja por essa razão que comemos biscoitos doces com certa ansiedade e pouca reflexão.

Na poesia, podemos criar metáforas muito ilustrativas e com maior força imagética quando misturamos palavras relativas à diversas submodalidades em um mesmo verso. Isso cria imagens pouco comuns e que podem, também, ser de grande beleza, de forma a capturar o envolvimento do leitor em sua experimentação.

O poeta arquiteta novas imagens e pensamentos quando explora metáforas sensoriais. Ele cria novos sistemas de representação que, se tratados com eficiência e beleza, resultarão em curiosas passagens poéticas.

O mundo criado por um poeta não tem a menor necessidade de ser real, mas precisa ser representativo das emoções e sensações que o poema promete.

A essa ligação de submodalidades sensoriais chamamos SINESTESIA. A sinestesia codifica nossa experimentação da realidade, das certezas e, até mesmo, do tempo. Explorar as submodalidades é uma intervenção de grande poder e eficiência para mudar ou agregar significado à uma experiência.

Sacharuk
 
 

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