A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 27 de julho de 2020

caneta cortadeira

caneta cortadeira

Coiso calçou chinelo
colocou camiseta
com casaco cambraia
comandou Constituição
com caneta compactor
cor celeste
criou confusão

conectou celular
convocou chefe culto cristão
convidou co-comandante Courão
chamou conge cearense Chelinha
comparecerem cozinha
curtir comemoração

chiou chaleira
com café coado
comeu cacetinho
colocou condensado

Coiso cortou capital
condenou cartel cultural
comprometido com causas
comunistas
calou cantor continental
calou chupacabras
calou cinemistas

chiou chaleira
com café coado
comeu cacetinho
colocou condensado

sacharuk


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