A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 27 de julho de 2020

Sobre "Poesia dos desadornos", de Sacharuk - o prefácio

Sobre "Poesia dos desadornos", de Sacharuk - o prefácio

Há uma fogueira santa à espera dos ousados prefaciadores, em especial, dos insipientes oficineiros. No calor do momento, aceitei o risco.

Ler poesia e senti-la é deixar-se deslumbrar pelas surpreendentes nuanças da palavra a colorir o trivial mistério nosso de cada dia, nos desvelando os segredos. É deixar-se tocar pelo inusitado verso a desvendar novas trilhas do dizer, nos impactando pra sempre. Assim é nesta obra, a segunda publicada pelo autor.

Há uma provocação despretensiosa na poesia de Sacharuk: despertar o imagético do nosso recôndito imaginário, nos convidando a navegar de braços abertos na proa de um moderno transatlântico a tangenciar os nossos icebergs, ou de olhos arregalados numa astronave a nos embevecer com as estrelas.

O autor, com peculiar e vigoroso estilo, canta em versos o amor sensual, e constrói cenas poéticas com elementos da natureza, que, ao sabor das palavras, emolduram sua obra com imagens de beleza rara.

Sou grata, sou aprendiz, estou feliz, quanta honra, meu professor!

Eva Crochemore

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