A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 27 de julho de 2020

Carta à Eva

Carta à Eva


Tanto me impressiona a engenharia natural das palavras! Cada bloco compõe fundação e soergue paredes, ora, é o abandono estendido sobre as mesmas ruinas que plasmarão novas existências. É mágica, bem sabemos!

Escolhemos conspirar contra as fatalidades ao dedicarmos pequenas frações semanais à alquimia da palavra. Provamos do ímpeto da motriz criadora de cada vocábulo vertido sobre uma página branca. Emprestamos vozes à beleza e à sabedoria que brotam da nascente da existência e ao exercício do tempo. Assim, cara escritora, é nobre minha tarefa, dada a paixão que emana ao pousar meus sentidos sobre escrituras artísticas repletas de energia vital. Não declino do prazer e da força suspensos sobre cada texto que bebe na fonte da beleza e amor pelo grato ofício. E a arte, em sua pedagogia, afirma-se em espírito criador, quando irrompe da página para ser ouvida, provada, sentida e, sobretudo, para cumprir a sina de ser compartilhada e confiada aos auspícios do apreciador.

Saibas, escritora, já vi a palavra romper fortalezas, sarar chagas tantas, aproximar espíritos e dirimir distâncias. Vi as coisas complexas transmutadas ao acorde da sua lira. Quando a palavra canta, será sempre ouvida. Tal o abraço da natureza que abriga e das centelhas que dela se desprendem. Dela se extrai o fluido que traduz o amálgama de todas as artes. Por isso a escolhi como signo do meu sacerdócio.

Sempre encontrarás refrigério ao colo sensível das escrituras que compões com tanto esmero e amor. Elas conversam diretamente com teu coração. Não há diálogo mais sincero e bonito. E sempre permitas que o olhar da arte ilumine a vertente. Que todos conheçam o poder de quem projeta beleza em prosa ou versos.

A gratidão é uma reciprocidade entre nós, que aprendemos a viajar com segurança sobre as asas um do outro.

Paz profunda

sacharuk


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