A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

segunda-feira, 27 de julho de 2020

golpe de ar

golpe de ar

há simbologia
nas portas abertas
também nas fechadas
pode dar poesia
pode ser coisa incerta
especulada

eu insisto
em ler linhas tortas
buscar os vestígios
colar os indícios
do que eu não sei

acontece
se fico possesso
escrevo em versos
mas penso em prosa

universo cor-de-rosa
rabiscado de preto
mancha de vício
precipício
arremedo

é cedo
para abrir a janela
deixar entrar
um golpe de ar
ventilar a mobília
soprar teus resquícios

de volta ao início
há simbologia
nas portas abertas
também nas fechadas
tudo é fantasia
só a morte é certa
e mais nada

sacharuk

Nenhum comentário:

Postar um comentário