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a princesa do sul


a princesa do sul

amei-a no vale dos sonhos
na tarde de sexta-feira
num cochilo na cadeira
sonhei com seus olhos risonhos

finos traços de princesa
cabelos negros formavam espirais
única herdeira do amor dos seus pais
a sucessora da realeza

naquele vale havia uma aldeia
logo no centro do bosque encantado
onde a sorte daquele reinado
era manipulada pela feiticeira

sob o agouro de má tentativa
a magia negra no bosque vingou
não restaram esperanças vivas
porém a bela princesa escapou

e passaram-se dezesseis anos
quando logo tornou-se rainha
e sem apoio reinou sozinha
aos duros desígnios dos arcanos

mas num certo dia teve a visão
de uma deusa envolta num manto
que prometia quebrar o encanto
se a princesa beijasse o chão

a terra sedenta ofertou as mercês
o abraço materno envolveu-a ao colo
o encanto sombrio quebrou-se de vez
quando seus lábios tocaram o solo

o céu em festa recobrou seu azul
o velho pampa tornou-se cidade
digno recanto de felicidade
foi batizada Princesa do Sul

e nos meus sonhos eu quero
voltar sempre para a aldeia
à margem da praia espero
 a linda  princesa beijar lua cheia

sacharuk

não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.