A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 27 de julho de 2020

a princesa do sul


a princesa do sul

eu te amei no vale dos sonhos
numa tarde de sexta-feira
num cochilo na cadeira
sonhei com teus olhos risonhos

teus finos traços de princesa
cabelos negros formavam espirais
única herdeira do amor dos teus pais
a sucessora da realeza

naquele vale havia uma aldeia
logo no centro do bosque encantado
onde a sorte daquele reinado
era manipulada pela feiticeira

sob o agouro de uma tentativa
a magia negra no bosque vingou
não restaram pessoas vivas
somente tu, a princesa, escapou

e passaram-se dezesseis anos
quando então te tornaste rainha
sem o teu povo reinavas sozinha
aos duros desígnios dos arcanos

mas num certo dia tiveste a visão
de uma deusa envolta em seu manto
que prometia quebrar o encanto
assim que tu beijasses o chão

então a terra ofertou as mercês
o abraço materno envolveu-te ao colo
o encanto sombrio quebrou-se de vez
quando teus lábios tocaram ao solo

o céu em festa recobrou seu azul
a linda aldeia tornou-se cidade
tornou-se recanto de felicidade
e foi batizada Princesa do Sul

e nos meus sonhos eu quero
voltar sempre para nossa aldeia
à margem da praia espero
 minha princesa beijar lua cheia

sacharuk

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