A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 27 de julho de 2020

pelos mares sem astrolábio

pelos mares sem astrolábio

a morte beijou-lhe os lábios
✝️💀 🧟‍♀️tão docemente

o sangue verteu-lhe regato
🧟‍♂️🧟‍♀️🧟‍♂️ tão docemente

legião tomou-lhe o corpo
✝️💀✝️ tão docemente

sobranceiro findou o seu sopro
🧟‍♂️🧟‍♂️🧟‍♀️ tão docemente

foi tão docemente

o anjo o levou para o sábio
✝️💀✝️ tão docemente

o destino zombou tanto ingrato
🧟‍♂️🧟‍♂️🧟‍♂️🧟‍♂️ tão docemente

o eterno atracou ao seu porto
💀⚓ tão docemente

a morte o lançou ao espaço
💀✝️✝️⚓tão docemente

arrastaram as correntes
a vida desfeita num laço
tão docemente

pude ouvi-la partir
tão docemente

sacharuk


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