A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 30 de julho de 2018

pelos mares sem astrolábio

pelos mares sem astrolábio

a morte beijou-lhe os lábios
✝️💀 🧟‍♀️tão docemente

o sangue verteu-lhe regato
🧟‍♂️🧟‍♀️🧟‍♂️ tão docemente

legião tomou-lhe o corpo
✝️💀✝️ tão docemente

sobranceiro findou o seu sopro
🧟‍♂️🧟‍♂️🧟‍♀️ tão docemente

foi tão docemente

o anjo o levou para o sábio
✝️💀✝️ tão docemente

o destino zombou tanto ingrato
🧟‍♂️🧟‍♂️🧟‍♂️🧟‍♂️ tão docemente

o eterno atracou ao seu porto
💀⚓ tão docemente

a morte o lançou ao espaço
💀✝️✝️⚓tão docemente

arrastaram as correntes
a vida desfeita num laço
tão docemente

pude ouvi-la partir
tão docemente

sacharuk


domingo, 29 de julho de 2018

chovendo delícias

chovendo delícias

não tortura-te
frágil fruto amora
que logo adentro a ti

estive pele afora
percorrendo tuas coxas
e chovendo delícias
na tua boca

sacharuk


segunda-feira, 23 de julho de 2018

ela e as ancas

ela e as ancas

ela anda pela floresta
ela e as ancas
ele a vê
ele a quer

ele a persegue
ela apressa
ele apressa
ela titubeia
ele para
ela congela
ele anda
ela corre
ela corre
ela corre

ele corre
lépido
perspicaz
e rápido

ela corre
desajeitada
ela e as ancas
ela e os seios

exausta se esconde
detrás de um tronco
ele a perde
ele a procura
ele a vê
ele a quer

ela levanta
ele corre
ela corre
ela corre
ele a alcança
ele a pega

ela grita
ele a joga
ele a subjuga
arranca a blusa
ela grita
ela chora
ela bate
ela chuta
ela o derruba
ela foge

ele corre
ele corre
ela foge
ela foge

ele a alcança
ela e as ancas

ele a fode
ela explode
ele pode
ele pode
ela o vê
ela o quer

sacharuk


sexta-feira, 20 de julho de 2018

chuva tocada a vento

chuva tocada a vento

hoje aqui a natureza fala línguas que ainda não conhecias. Tão lindo te ver assim, tal criança saltando sobre as poças nas calçadas em dia de chuva tocada a vento. Vejo-te renascer não apenas para sentir, mas para ser sentida pelo toque, nem sempre tão gentil, dos teus novos climas e tempos

sacharuk


sacharuk 😍 😙

quarta-feira, 18 de julho de 2018

era só poesia

era só poesia

 enquanto dormias
beijei-te os ombros
           toques suaves
para não te acordar

meus cheiros
furtivos ao teu pescoço
perdidos por tua nuca

impregnei-me de ti
teu gosto
ainda trago comigo
presente

os fios dos teus cabelos
são cócegas no meu nariz

dormi em paz
dormi feliz
zzzz
zzz

parecia sonho
mas era só poesia


sacharuk😍😙



vida selvagem

vida selvagem

vida selvagem
essa minha
galho em galho
num parque temático
com um poema
virtual informático
muito bem
enquadrado na linha

sacharuk😎🤗

O quanto de amor

O quanto de amor

O tempo das horas não modifica, a lua continuará espelhando luz å irrelevância das minhas respostas. 

Assim, continua aos teus passos firmes a engolir a novidade dos ventos que te sopram. Meu calendário já não marca efemérides e na cratera do meu espaço, o fundo é uma cama de rochas pontiagudas.

Amanheço com a boca aberta para beber gotas de orvalho e o sabor amargo ainda me refresca. Logo terei gelo envolto em minhas vísceras. 

O quanto de amor ainda me tens?
O quanto de amor ainda te tens?

sacharuk



amoreira

amoreira

obscura amoreira
das raízes cortadas
já não vinga na mata
junto aos passarinhos
agora cresce
faceira
no quintal do vizinho
sobre a terra lavada

sacharuk

um lugar

um lugar

quando esse frio for embora
quando essa chuva passar
         entre as canecas de café
         haverá para nós um lugar

o mar deitará sobre as rochas
            e os pássaros voltarão a voar
no jardim das flores eternas

    tu correrás para o mar
            eu vou pegar uma estrela
para nós haverá um lugar

quando voltar o calor
quando passar essa dor
        poderemos de novo andar
       pelos parques e riachos

tu correrás para o mar
    eu vou pegar uma estrela

tu correrás para o mar
    eu vou pegar uma estrela

para nós haverá um lugar

quando passar essa dor
haverá para nós um lugar

sacharuk


 

terça-feira, 17 de julho de 2018

mais que um momento

mais que um momento

percorro as noites
pelas ruas
meus caminhos incertos

percorro erros
percorro acertos
me perco sob as luas

e do lado de fora

do lado de fora
sei que o sol só brilha
a quem sabe beber chuvas

apenas a quem tenta

linda tu és mais
que um momento
me fizeste grande
me fizeste homem

linda tu és mais
que um momento

és meu tempo inteiro

procuro as falhas
no desenho celeste
reorganizo as estrelas

desato as amarras
que me vestem
em busca do que sou

e do lado de fora

do lado de fora
sei que a força da terra
só floresce em versos

apenas a quem tenta

linda tu és mais
que um momento
me fizeste grande
me fizeste homem

linda tu és mais
que um momento
és o  meu tempo inteiro

e do lado de fora


do lado de fora
um sentido desordeiro
se derrama em versos

apenas a quem tenta

sacharuk



17 de julho


17 de julho

ignora o sangue que verte
das tuas feridas
acaso escolheste viver

não é o passado
que fecunda tristeza

mas o temor do futuro

a solidão
é agrura do tempo
evitado

sacharuk 😎😁

prana

prana

arranco-te os cabelos
mordo-te os lábios
asfixio-te

depois sopro

sacharuk

gosto

gosto

sou sal
que te abrasa as papilas
quando tua vida insípida
não consegue comer

sacharuk





















pictórica

segunda-feira, 16 de julho de 2018

zangada

zangada

zabe,
zozeuzuni
zuni zunindo
zuni zoando
zucrinando zovidos
zim
zom
zum

zabe,
zozarranhei
zeus zombros
zás
zim
zom
zum

zaiu zangue
zencheu zozolhos
zorei
zorei zorando
zangada

sacharuk


teu santo nome

teu santo nome

terrível algoz
oculto na senda
irrompi as manhãs
que amaste
tão honestamente

tomei-te o tempo
tomei-te a agenda
embacei o teu viço

joguei-te ao feitiço
de ser minha vítima
e eu
também vítima de mim
fui juíz e pecado

santifico teu nome
na noite escura sem lua
na chuva fina sem fim
outrora pronunciado
na minha boca imunda

sacharuk



usa os dentes


usa os dentes

usa os dentes
marca-me a carne
saliva e batom
meu prazer
teu dom

sê o cárcere
desses desejos urgentes
inglesa poesia eloquente
a recitar-me com classe

perde o tom
provoca aflição
aniquila-me num passe
tua magia impaciente

usa os dentes
até que a pele esgace
dor arrepio frisson
língua garganta e mão

sê o ápice
o gozo insurge vertente
apara delicadamente
quando explodir em tua face

sacharuk