A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 27 de julho de 2020

dedinho de poesia


dedinho de poesia

não faço como Getúlio
não faço como Tancredo
fizeram muito barulho
mas se cagaram de medo
e não me falta orgulho
pois só me falta um dedo

não faço como Fernando
não faço como o Henrique
eu já estou entornando
no fundo do meu alambique
e hoje estou misturando
cinquenteum com uísque

não faço como Juscelino
sequer como o Figueiredo
não quero bandeira nem hino
nem milico acordando cedo
eu ganho o império latino
e só me falta um dedo

não faço como Sarney
não faço como Itamar
eu sou apenas o rei
que o povo aprendeu amar
ninguém precisa de lei
se eu posso mandar

sacharuk

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