A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 27 de julho de 2020

Lusofonia de um poema

Lusofonia de um poema

As minhas palavras de Fado 
gostam de cantar continentes
e dançar carnavais de funaná.
As minhas palavras de bacalhau
têm fome de cachupa e funje
e sede de água de côco.
As minhas palavras de Tejo
navegam pelo Amazonas
e banham-se no Zambeze.
Quem as quiser encontrar
tem de ter na mão um planisfério
e descobrir onde fica Lusofonia

Digo alguns versos de samba
às ruas de Trás-os-Montes
com os Pauliteiros de Miranda.
Digo alguns versos de feijoada
com um tanto de óleo de palma
e uma garrafa de vinho do Dão.
Digo versos de pedra da Mina
que ecoam na Montanha do Pico
e são ouvidos no alto do Binga.
E quem os quiser escutar
tem que sucumbir aos mistérios
e as belezas da Língua Portuguesa.

Emanuel Lomelino & sacharuk

5 comentários:

  1. Poeta Wasil! É uma honra ver as minhas palavras de braço dado com as tuas. Um grande abraço luso.

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    Respostas
    1. Sou muito vaidoso de ter escrito contigo, meu amigo. Grande abraço

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  2. Venho aqui expressar meu agradecimento ao ler essa obra de primeiríssima linha e, tamanha beleza contida nas palavras desse poema.

    Ainda vale a pena...

    Abraços,
    Dupla de poetas, Emanuel Lomelino e Wasil Sacharuk

    Regina cnl

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  3. Viva a Lusofonia!
    Parabéns Poetas, Emanuel Lomelino e Wasil Sacharuk, pelo excelente poema a quatro mãos.

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