A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 27 de julho de 2020

Borboletas e Mariposas




Borboletas e Mariposas

a mãe uma borboleta
nem flor nem pássaro
uma borboleta

o pai era um sorriso
embriagado dos perfumes
das mariposas

as mariposas uma nuvem de putas
que se equilibrava sobre a aura
de nossa casa

a casa ora a oração da mãe
ora os perfumes das putas do pai

eu era invisível
como o ódio da mãe
e o sorriso perfumado do pai

um dia a casa ruiu
sob um forte temporal
vi minha mãe partir em silêncio

Bento Calaça
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Professor,ator, diretor de teatro e construtor experimental de versos ou um simples artesão destes.
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