A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 27 de julho de 2020

ao meu menino


ao meu menino

no sábado te beijei enquanto dormias
para sonhares sob proteção
trocarmos raciocínios e poesias
que eu possa sempre pegar tua mão

então eu quis 
beijar meu amigo
e que tenha toda 
a força da canção
e terei certeza que consigo
e que nunca mais 
volto a crer que não

eu quero que tu ames as coisas simples
que todos sintam o transe do teu vinho
que entendam as essências dos teus males
para que aprendas a não andar sozinho

e pela manhã, o sol 
te aqueça a fronte
e jamais te falte 
o poder de decisão
que tenhas sempre 
nortes e horizontes
e o dom de ver
além da visão

e tu então serás para sempre meu menino
para muito além do fim dos meus dias
nutrido com o melhor do meu amor infinito
embalado nos desafinos das nossas melodias

então eu quis
te ver dormindo
e descansar
mais um segundo
então eu vou 
te ouvir sorrindo
o sorriso mais lindo
do meu mundo

sacharuk

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