A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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domingo, 26 de julho de 2020

versos de marcenaria

versos de marcenaria

o poeta artesão salva madeiras
dos armários, cadeiras desprezados
de mogno, eucalipto, cerejeira
a sina marceneira no esquadro

compõe criado mudo em cabeceira
a alma vai inteira no traçado
armário modulado e cantoneira
e poema de primeira bem lixado

a tico-tico esgueira por um lado
um nó versificado na colcheia
na esteira de um metro encantado

poeta abençoado de mão-cheia
das artes que enleia articulado
o amor manifestado das suas veias

sacharuk


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