A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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domingo, 26 de julho de 2020

Coração dividido

Coração dividido

Não, não quero
Nem para ti, nem para mim
Um coração dividido
Entre a tristeza e o amor
Indivisível amor
Se me vens
Vens completo
Me queiras por inteira
Não só num momento
Não te peço para ser a primeira
Nem a última
Mas a companheira
Para a qual não mentirás
Não guardarás segredos
Nem tristezas
A qual saberá ser teu porto
Teu corpo
Teu sentido por inteiro
Cuidarei das tuas feridas
Mas por favor não me ofereças
Tuas migalhas, tuas palavras
Se não me sobra espaço em teu coração
Se não me vens com sofreguidão
Posso cuidar do teu coração ferido
Dar para tua vida um novo sentido
Mas não suportarei um coração dividido

Não, não espero
Mais de ti, nem de mim
Um coração repartido
ora espinho ora flor
em dois sentidos
Se me tens
Tens completa
E me comas inteira
Me faças repleta
Não quero só brincadeira
Nem só os riscos
Quero ser a parceira
Para quem contarás
Os teus segredos
As tuas safadezas

Posso cuidar do teu coração ferido
Dar para tua vida um novo sentido
Mas não suportarei um coração dividido

Maria Ligia Caviglioni & sacharuk

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poeta Maria Ligia Caviglioni

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