A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

domingo, 26 de julho de 2020

Colors, por Véio China

COLORS

Todos se amotinaram, relataram
A raiz, o cubo, e a dura verdade
Tons turvos que no ar evaporam
As cenas isentas de simplicidade

São dedos que apontam o que restou
É a solidão alcoolizada nas metáforas
São as nostalgias que o vento exalou
Pássaro em riste sem voo de alforria

Foram ilusões impondo o dolo e a crença
Pruma sobrevida de sensores emperrados
Um doce gosto de engano na boca criança
A farsa das traições nos olhos apaixonados

Sim, todos foram nos legando coisas extraídas
Numa existência que só agora as dívidas cobra
Nestas cicatrizes que hoje relembram histórias
De mim, o tolo expulsando amores cova afora

Assim, jamais haverá o porquê de me queixar
Das tonalidades dos olhos que me quiseram
Todos estiveram ao meu alcance, aquém mar
Olhares nus, incautos, e que tudo expuseram

Entretanto, não permiti o decifrar das matizes

Copirraiti02Fev2014
Véio China©

visite o blog do Véio China

Véio China, um poeta? Contista? Talvez nem um, nem outro. Mas apenas se diverte escrevendo

Nenhum comentário:

Postar um comentário