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poesia dos desadornos

poesia dos desadornos

ela ama as coisas
que assaltam os poros
que perfuram sua pele
que voam ultraleve
mesmo na queda dura

ela ama as rosas
e também os espinhos
a dor e a textura
das entregas deliciosas
límpida laguna
para mergulhar

poesia dos desadornos
que declama sem ar
os cumes do seu corpo
a ilha entre suas pernas

versos brancos desabrocham
suplicam que os contemplem

ela ama os acordes
sinfônicos de violino
os dedos finos
quedam seus lóbulos
poisam em seus lábios

ela ama a mão hábil
espalmada em sua nuca
que um verso adentre
destrave os seus dentes
entreabra sua boca
explore recônditos
gengiva e língua

poesia dos desadornos
que expande e amingua
desenha contornos
ao entorno das dunas

rosas brancas desabrocham
suplicam que as contemplem

sacharuk





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