A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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domingo, 26 de julho de 2020

Metalinguagem na poesia - www.inspiraturas.org



INSPIRATURAS - Oficina de Criação Literária

Metalinguagem na poesia

Metalinguagem é a linguagem utilizada para falar sobre outra linguagem. Ela compreende todo discurso acerca de uma língua. Na literatura, a metalinguagem é praticada por um crítico que investiga as relações e estruturas presentes na obra literária, ou por um autor que explica seu próprio fazer literário ou de outrem. 

Escrever um poema é, como já dizia Drummond, “penetrar surdamente no reino das palavras”. Parece que a procura pela poesia é uma constante na vida dos poetas, que se dedicam à arte de escrever versos e também à arte de escrever versos sobre os próprios versos. Eis que surge a metalinguagem na poesia.

A metalinguagem acontece quando a linguagem se debruça sobre si mesma: a poesia feita sobre a própria poesia. Quando o poeta reflete sobre o fazer poético, parece explicar para si mesmo e para os leitores o momento catártico que permeia a criação e dá vida a um poema. 

O Sentido da Poesia

O que há de belo na poesia?
poucos entendem a sua beleza
ela não segue a um padrão
sequer se conforma à razão

Seja clichê de céu turquesa
ou estrelado de idiossincrasia
recorte instantâneo do dia
com alguma ou nenhuma certeza

Poesia respira e inspira emoção
trajada na lógica ou na abstração
na sua forma revela a fineza
e até mesmo se acalma na rebeldia

Poesia que brilha na ousadia
e nos encantos da delicadeza
no colo sagrado da construção
onde a beleza apreende a lição

Mas ser poeta não põe mesa
então, qual o sentido da poesia?
É ser surpreendido algum dia
surpreso com a própria surpresa!

Sacharuk 

O poeta se faz e desfaz pela própria compreensão existencial, como um ser-no-mundo que se revela pelo ato de compor e publicar. Enquanto se expõe, se desintegra para poder integrar novos recursos, na forma de informações, técnicas e do alvorecer de uma nova persona poética.

Para ser objeto de crítica, a obra do poeta se volta sobre si mesma para se autoanalisar e concorrer a impressões. Nessa nova idade da literatura, dada a vulnerabilidade educacional e cultural que preenche nossa geografia, os próprios escritores se constituem nos mais ativos leitores.

E a poesia se autocrítica para obter o feedback. Se mostra líquida para ser desvendada. Desvendada para ser compreendida e, por fim, compreendida para dissimular a pretensão catártica.

A metalingüística, enquanto função da linguagem, fala da própria linguagem enquanto se olha no espelho. Vale-se da crítica do próprio código, da sintaxe, do léxico, do estilo, da forma e de qualquer elemento que a constitua.

A poesia metalingüística quer seduzir a si mesma. Dispõe o prazer do poeta em se desnudar para a musa que o observa curiosa em posse da chave que abre a clausura dos versos.










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