A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

quarta-feira, 22 de julho de 2020

esparramo reticências

esparramo reticências

vejo tudo de soslaio
oculto entre as verbenas
seus olhares estranhos
ora risonhos
ora tristonhos

por isso que eu traio
as parcas certezas

conviver é o ensaio
de cortesias e delicadezas
entre hipocrisia tamanha
ora artimanha
ora inocência

minhas ignorâncias
eu nem percebo

vejo tudo tão placebo
efêmeras cantilenas
paixões tão amenas
morrendo no vício
de múltipla falência

esparramo reticências
do que eu tenha
a ver com isso

cansei dos artifícios
photoshopadas belezas
sobre tecidos azedos
maquilando segredos
que não me dizem respeito

eu vivo do meu jeito
e ocupo minha vaga
a deslizar os dedos
sobre as chagas
dos meus próprios medos

sacharuk

1bf80064c9da61477574a08c99a13d8c

Nenhum comentário:

Postar um comentário