A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sábado, 25 de julho de 2020

CLICHÊ, CHAVÃO, FRASE FEITA



CLICHÊ, CHAVÃO, FRASE FEITA

Clichê, chavão, frase feita, cacoetes, são expressões que se tornaram vazias de sentido ou se trivializaram, por força de terem sido demasiadamente repetidas.

Tipos fundamentais de clichê

1. O da linguagem falada que se desenvolve no intercâmbio social, como resultante da própria rotina das relações entre pessoas (interpessoais).

2. O da linguagem escrita, principalmente literária, consiste na repetição abusiva de fórmulas achadas por um escritor.

• O ambiente de circulação dessas duas categorias pode inverter-se mutuamente, ou seja, o clichê oral pode ser introduzido num texto literário com determinados fins, como conferir realismo ao diálogo. Por seu turno os clichês literários podem ser utilizados na fala, entre pessoas cultas, ou de maneira geral, incluindo pessoas iletradas que desconhecem a origem e o contexto em que estão os clichês.

• O clichê pode enriquecer e dar expressividade a um texto, ou apenas facilitar a compreensão dele. Mas, pode também, torná-lo um agrupamento de expressões lugares-comuns, vazias de sentido, empobrecendo o texto. Assim, evite expressões pobres de valor informativo, modismos ou chavões que vulgarizam o texto. O Manual de Redação da Folha de São Paulo recomenda evitar as expressões abaixo (clichês) sempre que for possível:

Abrir com chave de ouroExtrapolar
Antes de mais nadaFamiliares inconsoláveis
Ataque fulminanteFazer por merecer
Atirar / lançar farpasFazer uma colocação.
Aparar as arestasFonte inesgotável.
A todo vapor.Fortuna incalculável.
A toque de caixa.Gerar polêmica.
Atuação impecávelImportância vital.
Avançada tecnologiaInserido no contexto.
A voz rouca das ruasInundar (a vida, o coração, etc.)
Bater de frente com alguémJóia da coroa
Caixinha de surpresasLíder carismático
Calorosa recepçãoLiteralmente tomado
Caloroso abraçoLuz no fim do túnel
Calorosos aplausosNa vida real
Caminho já trilhadoNo fundo do poço
Cardápio da reuniãoOs quatro cantos do mundo
Carreira meteóricaPavoroso incêndio
CatapultarPerda irreparável
Com direito aPergunta que não quer calar
Congestionamento monstroPreencher uma lacuna
Consternar-se profundamentePrejuízos incalculáveis
Corações e mentesQuebrar o protocolo
Coroar-se de êxitoRequintes de crueldade
Correr por foraRespirar aliviado
Debelar as chamasRota de colisão
DesabafarRuído ensurdecedor
Detonar um processoSer o azarão
Disparar (como sinônimo de dizer)Sonora vaia
Dispensar apresentaçõesTrair-se pela emoção
Do oiapoque ao chuíTrocar figurinhas
Duras (pesadas) críticasUsina de idéias
Em nível deVerdadeiro tesouro
Enquanto ( na condição de)Via de regra
Erro gritanteVisivelmente emocionado
Escoriações generalizadasVitimas fatais
Estrondoso (retumbante) sucessoVitória esmagadora



Marshall McLuhan, considerado o papa da comunicação, observa que o uso do clichê é muitas vezes um impulso interior, como o uso da gíria dentro de um determinado comportamento coletivo. E de quando em quando não podemos evitar o uso do chavão, do lugar-comum.

Ricardo Sérgio


Clichê é chavão, é lugar-comum. É repetição. É o oposto de criatividade!

- Sabe, amiga, ele me ganhou com aquele olhar de soslaio.

- É mesmo?

- Convidei-o para vir a minha casa. Meus batimentos estavam a mil por hora e minhas mãos estavam molhadas.

- E aí?

- Nem te conto, amiga, do hálito quente sussurrado no ouvido até a mão com pegada forte, ele é tudo de bom.

- E depois?

- Ele é um amor. No café da manhã, pegou o pote de margarina e desenhou um coração.

- Vocês se acharam, se completam. Formaram o par perfeito: Clichê e Chavão.

(Klotz, Roberto. Manual do Escritor. Brasília, 2016)


















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