A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

sensata

sensata

simplesmente sorria
sabia sorrir
sucumbia seriedades
sensualmente
sorria

seu sorriso
simulava sabedoria
sabia ser serena

sorria sem som
sem sentido
somente
sorria


seu semblante
sensível seda
suave

sucumbia sóis
sucumbia sombras
satisfazia
sua safadeza
sensatamente santificada
sobre sua sina

sabia ser sofisticada
servindo somente
sua satisfação

suplicava sentir
seduzia
saciava seu sexo
sentava
sugava

sofrega
sorvia sêmen
sorvia suor
solidão
sexo
somente sexo

seu sonho
sentir-se segura
sóbria
séria

salva
sobretudo só

seu sonho
significa somente
sonho
sensatamente santificado
sobre sua sina

sacharuk


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