A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

cilada




Cilada

Noite de lua de fome e demônios
penumbra de corte de morte mistério
de rasgo de grito de fuga de sonhos
memórias de dias os novos os velhos

Dia de sombra de insone agonia
de sóis e de nós sem nós e ninguém
vapores baratos torpor vilania
estórias História de mais e além

De buscas e buscas na senda do dia
do pai e do filho do santo e amém
de fome de amor de prosa e poesia
trabalho suado não vale um vintém

De encontros, encontro uns dez encontros
de perdas e danos estou mui calejada
das lutas, batalhas, enfrento; confrontos
da vida - que vida? - não levo mais nada

Eu caio na vida desses seres tontos
para acreditar que inda sou tão amada
a cada rodada eu perco mais pontos
e no fim do jogo já estou derrotada.

Lena Ferreira & sacharuk

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