A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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domingo, 26 de julho de 2020

o robin e outros pássaros

o robin e outros pássaros

a fortuna
girou a roda
lancei-me afora
pássaro de luz
na paisagem noturna

gravei
o canto do robin
e doutros pássaros

mundos de asfalto
percorri sob as asas
até tua casa
planícies planaltos
mares e praias
matas fechadas

voei com os pássaros
levei em minha boca
teu livro de sonhos

levei em minha boca
um punhado
das tuas palavras

o velho tronco trazia
meu nome escrito à faca
recitei poemas no jardim
junto aos pequenos animais

no quarto tu bailavas
vestido vermelho
tão linda ao espelho

voei com os pássaros
levei em minha boca
teu livro de sonhos

e um punhado
das tuas palavras

sacharuk


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