A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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domingo, 26 de julho de 2020

A Jornada do Herói


A Jornada do Herói

Aqui vai uma tradução livre do interessante resumo que os autores Robin U. Russin e William Missouri Downs fizeram do trabalho de Joseph Campbell: 

Uma das maiores influências sobre a estrutura das histórias em Hollywood, apesar de que isto não tenha sido sua intenção, foi o antropólogo Joseph Campbell. Campbell criou um interesse sem precedentes em mitologia e narração de histórias com seus livros e sua incrivelmente popular série de entrevistas com Bill Moyers na rede de TV PBS. Campbell não era um guru de enredos. Construindo sobre o trabalho do psicólogo suíço Carl G. Jung — que procurava entender os arquétipos universais das histórias e os personagens míticos que pareciam surgir em culturas variadas — Campbell deu um passo à frente ao esboçar um padrão básico e imutável de narração de histórias. Seu livro, O Herói de Mil Faces, detalha como as estruturas de enredo da maioria dos mitos de jornada heróica eram semelhantes não importavam o país, a cultura ou o século de onde vieram. Campbell argumenta que todos os contadores de histórias — dos antigos gregos aos quenianos, dos chineses aos roteiristas de Hollywood — seguem a mesma fórmula básica quando recontam estas histórias heróicas, apesar de suas aparentes infinitas variações. Esta estrutura antiga envolve os doze estágios da Jornada do Herói: 

1- O MUNDO HABITUAL 

Um mito começa com o herói em seu próprio ambiente. 

2- A CHAMADA PARA A AVENTURA 

Um problema ou desafio é apresentado e irá perturbar o mundo habitual do protagonista. 

3- O HERÓI RELUTANTE 

O herói empaca frente à aventura. Ele enfrenta seus medos em relação ao desconhecido. 

4- O VELHO SÁBIO 

O herói consegue um mentor, que ajuda o herói a tomar a decisão certa, mas o herói precisa empreender a jornada sozinho. 

5- DENTRO DO MUNDO ESPECIAL 

O herói toma a decisão de comprometer-se com a aventura e deixa seu mundo familiar para trás, para entrar num mundo especial de problemas e desafios. 

6- TESTE, ALIADOS E INIMIGOS 

O herói enfrenta os aliados de seus oponentes, assim como a sua própria fraqueza, e inicia o trabalho enquanto lida com as consequências de suas ações. 

7- A CAVERNA SECRETA 

O herói entra no lugar de maior perigo, o mundo do antagonista. 

8- A PROVAÇÃO SUPREMA 

O momento sombrio ocorre. O herói precisa encarar um fracasso crítico, uma derrota aparente, a partir da qual ele irá adquirir sabedoria ou habilidade para ser bem-sucedido no final. 

9 – APODERANDO-SE DA ESPADA 

O herói ganha poder. Com seu novo conhecimento ou maior capacidade, ele agora pode derrotar as forças hostis do antagonista. 

10- A ESTRADA DE VOLTA 

O herói volta para seu mundo habitual. Ainda há perigos e problemas enquanto o antagonista e seus aliados perseguem o herói e tentam evitar que ele escape. 

11- RESSURREIÇÃO 

O herói é espiritualmente ou literariamente renascido e purificado por sua provação, enquanto ele se aproxima do limiar do mundo habitual. 

12- RETORNO COM O ELIXIR 

O herói retorna ao mundo habitual com o tesouro que irá curar seu mundo e restaurar o equilíbrio que estava perdido. 

O mais famoso exemplo de filme que segue esta fórmula é Guerra Nas Estrelas: Episódio IV – Uma Nova Esperança (Star Wars: Episode IV – A New Hope, 1977). Aqui mostramos como a jornada de Luke Skywalker (o protagonista) segue o esquema ancestral de enredo de Campbell: 

1- O MUNDO HABITUAL 

Luke Skywalker é um rapaz, um fazendeiro entediado em um planeta distante. 

2- A CHAMADA PARA A AVENTURA 

A Princesa Léia e as forças rebeldes que resistem ao Imperador do mal estão em dificuldades. Ela manda uma mensagem holográfica pedindo ajuda a Obi Wan Kenobi que, por sua vez, pede para Luke se unir a ele. 

3- O HERÓI RELUTANTE 

Skywalker recusa-se a se unir a Obi Wan. Ele tem responsabilidades demais na fazenda, mas quando ele vai para casa, descobre que sua família foi massacrada pelas Stormtroopers do Imperador. 

4- O VELHO SÁBIO 

Um mentor sábio, Obi Wan Kenobi prepara Luke para a batalha à frente. Ele dá a ele um sabre de luz que um dia pertenceu ao pai de Luke, um cavaleiro Jedi. Ele conta a Luke sobre o lado negro da Força. 

5- DENTRO DO MUNDO ESPECIAL 

Luke decide deixar seu mundo habitual e ir acertar as coisas. 

6- TESTE, ALIADOS E INIMIGOS 

Luke entra num mundo perigoso, encontra estranhas criaturas no “limiar” (a área do bar), une forças com Han Solo, foge das Stormtroopers do Imperador e entra na briga, voando para o espaço para resgatar a Princesa Léia. 

7- A CAVERNA SECRETA 

Luke entra na Estrela da Morte, o lar e a arma suprema do maior guerreiro do Imperador do mal, Darth Vader. 

8- A PROVAÇÃO SUPREMA 

Luke, Han Solo e a Princesa Léia ficam presos na gigante prensa de lixo da Estrela da Morte; Luke é puxado sob a água por uma estranha criatura. Eles então são salvos por um aliado, R2D2. 

9 – APODERANDO-SE DA ESPADA 

Luke resgata a Princesa Léia e apodera-se das plantas da Estrela da Morte. 

10- A ESTRADA DE VOLTA 

Luke é perseguido por Darth Vader. 

11- RESSURREIÇÃO 

Luke é quase morto por Darth mas reage e vence. Luke destrói a Estrela da Morte. 

12- RETORNO COM O ELIXIR 

Luke é recompensado por todo o seu trabalho duro. O mundo está novamente em equilíbrio. 

Quando Hollywood descobriu O Herói de Mil Faces, muitos produtores, diretores e escritores pularam de alegria: eles finalmente tinham encontrado a sua bíblia de estrutura de roteiro. Agora eles poderiam socar qualquer idéia neste esquema simples e sair com uma história muito boa. Mas outros não estavam tão excitados. Muitos sentiram que produtores demais, ansiosos por um caminho fácil, viram a fórmula de Campbell como o único caminho para estruturar um roteiro, não importando que tipo de história estivesse sendo contada. A estrutura de Campbell pode funcionar muito bem para Guerra Nas Estrelas e outras histórias de jornadas, mas oferece pouca ajuda para histórias como Noite de Desamor (‘night Mother, 1986), Meu Jantar Com André (My Dinner With Andre, 1981) e Falando de Amor (Waiting To Exhale, 1994).

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