Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas tu podes treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.
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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Desejo confesso


Desejo confesso

Gosto de ficar em teu peito
leito donde verte minha poesia
gosto dessa tua mania
de me bagunçar os cabelos
os pêlos e os versos

Gosto dos rumos dispersos
que conversam com tua ousadia
e gosto da tua filosofia
que me faz sucumbir em desvelos
meu desejo confesso

E gosto além da conta
dessa afronta dos beijos teus
ah o apogeu em tua boca
quando sente-me a pele sedenta
e me sacia o corpo ávido

Mas amo o sorriso tão cálido
que os teus lábios ostentam
quando se abrem aos meus

Angela Mattos & Sacharuk

Mûre


Mûre

Mûre do espaço
relâmpago e afago
os longos braços
da doce energia
emerge poesia
para fazer-se criança

Mûre da esperança
conta os patos
que nadam no lago
ensina a esperar
o festim da alegria
enquanto encurta 
as distãncias

Mûre das lembranças
da visão do futuro
e das velhas histórias
traz a memória
dos mares profundos
enquanto canta
aos cantos do mundo

sacharuk


morsure-chiens-proteger-enfant


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

prado imenso dos lírios infindos

prado imenso dos lírios infindos

prado imenso
dos lírios infindos
ofertório
do alimento
dos seres ingênuos
e pequeninos

vasto domínio
dos lírios infindos
observatório
da ave semente
nas terras
dos intentos divinos

sacharuk

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

amargo 69


amargo 69

amarga-me
a recolhida língua
à dormência
captura de essências
do limão e do sal
absinto

desidrata na cal
meu toque áspero
tempero-te
de agridoce atrito
de suor e fluído
vinagrette
de amor seminal

desliza e arde
contorcida língua
nas gotículas de pele
no cheiro da febre
óxido de ferro
e ph vaginal

sacharuk

dddd

órbita

órbita

habito estrelas
descrevo curvas
que perpassam 
a cadeia de rochas
crosta do teu planeta

a cada manhã
recolho sonhos
plantados na arcada
dos teus olhos
quando miram o sol

assim posso vê-los
se fecho os meus

habito satélites
corpos celestes
em trajetória suave
observatórios
de ocultas verdades

sacharuk


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

canta comigo princesinha


canta comigo princesinha

canta comigo princesinha
pula e dança na cozinha
sobre a insignificância da vida
enquanto eu faço a comida

princesinha
só há maestria
em prender poesia
entre os dentes

princesinha
a maior alegria
é tomar café quente
sentada ao poente

ri comigo princesinha
para afugentar todo o mal
aos lobisomens
por entre os coqueiros
e dar boa noite
aos bois no quintal

sacharuk


imagescanngbbm

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

pioggia gentile


pioggia gentile

no inverno
tão pouco chovias
sobre as igrejas
           só gotas frias

nas arenas
ruínas
chuva fina
pioggia gentile
          só gotas frias

          só gotas frias
chuvas confetes
serpentinas
canivetes

non correre il raggio
pioggia gentile

non correre il raggio
pioggia gentile

que tua melodia
            seja livre

e nos dias
carentes
de poesia
viveste a ira
imponente dos raios
chuva suave

o céu
com poeira de estrelas
traçou outras linhas
horizontes do eu
pioggia gentile
chuva minha

que tua melodia
           seja livre

que tua melodia
           seja livre

sacharuk

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Rain Lights byKateey

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

analgesia e placebo

analgesia e placebo

busca o alívio
pelo sangue que jorra
dos buracos de faca
no mar gosma verde
num século de sede
o dia de ressaca

busca o alívio
dessa dor que ataca
que judia que fere
logo adoece
depois mata

busca o alívio
na mesma crença ingrata
que te pede e promete
um novo milênio
de novas bravatas

busca o alívio
numa letra de hino
nas ciências exatas
nos sistemas de ensino
na pintura abstrata

busca o alívio
nas ideias compradas
filosofias baratas
nas sentenças mais curtas
nas comidas em lata

busca o alívio
nas vivências passadas
nas certezas já prontas
que jamais dizem nada.

sacharuk

placebo3

zimbro

zimbro

sob os frutos
de zimbro ao pé
deitei secretas memórias
relegadas ao limbo
sedimentadas
tal pedras

sob as folhagens
alcei a viagem
nas asas dos versos
rumos repletos
fatal emoção
apertada
em nós abstratos

sob a árvore
estendem-se campos
da criação
livre dos entretantos
da coerência ou coesão

sob a paisagem
universos imensos
contextos completos
recriação
dos tantos retratos

sob os sapatos
frutinhos esmagados
espargidos e coagulados
de rubra poesia

sacharuk

001

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

rosa vermelha orquídea negra

rosa vermelha orquídea negra

enquanto dormes
contar-te-ei as novas
das mil e uma
longas longas longas
noites silenciosas

entenderás
os versos de distração
difusos nas ondas 
sobem sobem sobem
perpassam muros
da razão

sentirás
o velho sopro obscuro
frio anjo demônio
andejo dos umbrais

saberás
desses tempos reais
e seus sonhos
artefatos de poesia
céus e infernos
algo para não acreditar
algo para esquecer
queimar os cadernos

rosa vermelha
orquídea negra
floreiras brancas do descanso
chamam alegria ao imenso jardim

a vida é córrego
e onde a morte 
jorra nascente
rebrilha luz estelar

rosa vermelha
orquídea negra
não há sacrifício 
nas cruzes
se o capim verde
cresce em volta

rosa vermelha
orquídea negra
não há sacrifício 

a vida é córrego
e onde a morte 
jorra nascente
rebrilha luz estelar

sacharuk


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

pérola rosa

pérola rosa

nasceu no canteiro
exótica flor
lua no olhar
sorridente de sol
amor de poesia
astúcia de prosa
a vovó já dizia:
é a Pérola Rosa

a crescer girafinha
a girar bailarina
doce de mel
boneca de pano
lápis de cor
risos em ramos
pétalas de amor
histórinhas rabiscadas
no universo de papel

cheirinho de terra
leveza do céu
cores faceiras
flor amorosa
sua essência preciosa
faz a gente sonhar acordado

e quando estou abraçado
na florzinha dengosa
pousam sobre meus ombros
milhoes de mariposas
graciosas

sacharuk

Foto0188

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Dicas para escrever sonetos

A Jornada do Herói

A Jornada do Herói

Aqui vai uma tradução livre do interessante resumo que os autores Robin U. Russin e William Missouri Downs fizeram do trabalho de Joseph Campbell:

 

Uma das maiores influências sobre a estrutura das histórias em Hollywood, apesar de que isto não tenha sido sua intenção, foi o antropólogo Joseph Campbell. Campbell criou um interesse sem precedentes em mitologia e narração de histórias com seus livros e sua incrivelmente popular série de entrevistas com Bill Moyers na rede de TV PBS. Campbell não era um guru de enredos. Construindo sobre o trabalho do psicólogo suíço Carl G. Jung — que procurava entender os arquétipos universais das histórias e os personagens míticos que pareciam surgir em culturas variadas — Campbell deu um passo à frente ao esboçar um padrão básico e imutável de narração de histórias. Seu livro, O Herói de Mil Faces, detalha como as estruturas de enredo da maioria dos mitos de jornada heróica eram semelhantes não importavam o país, a cultura ou o século de onde vieram. Campbell argumenta que todos os contadores de histórias — dos antigos gregos aos quenianos, dos chineses aos roteiristas de Hollywood — seguem a mesma fórmula básica quando recontam estas histórias heróicas, apesar de suas aparentes infinitas variações. Esta estrutura antiga envolve os doze estágios da Jornada do Herói:

1- O MUNDO HABITUAL

Um mito começa com o herói em seu próprio ambiente.

2- A CHAMADA PARA A AVENTURA

Um problema ou desafio é apresentado e irá perturbar o mundo habitual do protagonista.

3- O HERÓI RELUTANTE

O herói empaca frente à aventura. Ele enfrenta seus medos em relação ao desconhecido.

4- O VELHO SÁBIO

O herói consegue um mentor, que ajuda o herói a tomar a decisão certa, mas o herói precisa empreender a jornada sozinho.

5- DENTRO DO MUNDO ESPECIAL

O herói toma a decisão de comprometer-se com a aventura e deixa seu mundo familiar para trás, para entrar num mundo especial de problemas e desafios.

6- TESTE, ALIADOS E INIMIGOS

O herói enfrenta os aliados de seus oponentes, assim como a sua própria fraqueza, e inicia o trabalho enquanto lida com as consequências de suas ações.

7- A CAVERNA SECRETA

O herói entra no lugar de maior perigo, o mundo do antagonista.

8- A PROVAÇÃO SUPREMA

O momento sombrio ocorre. O herói precisa encarar um fracasso crítico, uma derrota aparente, a partir da qual ele irá adquirir sabedoria ou habilidade para ser bem-sucedido no final.

9 – APODERANDO-SE DA ESPADA

O herói ganha poder. Com seu novo conhecimento ou maior capacidade, ele agora pode derrotar as forças hostis do antagonista.

10- A ESTRADA DE VOLTA

O herói volta para seu mundo habitual. Ainda há perigos e problemas enquanto o antagonista e seus aliados perseguem o herói e tentam evitar que ele escape.

11- RESSURREIÇÃO

O herói é espiritualmente ou literariamente renascido e purificado por sua provação, enquanto ele se aproxima do limiar do mundo habitual.

12- RETORNO COM O ELIXIR

O herói retorna ao mundo habitual com o tesouro que irá curar seu mundo e restaurar o equilíbrio que estava perdido.

 

O mais famoso exemplo de filme que segue esta fórmula é Guerra Nas Estrelas: Episódio IV – Uma Nova Esperança (Star Wars: Episode IV – A New Hope, 1977). Aqui mostramos como a jornada de Luke Skywalker (o protagonista) segue o esquema ancestral de enredo de Campbell:

1- O MUNDO HABITUAL

Luke Skywalker é um rapaz, um fazendeiro entediado em um planeta distante.

2- A CHAMADA PARA A AVENTURA

A Princesa Léia e as forças rebeldes que resistem ao Imperador do mal estão em dificuldades. Ela manda uma mensagem holográfica pedindo ajuda a Obi Wan Kenobi que, por sua vez, pede para Luke se unir a ele.

3- O HERÓI RELUTANTE

Skywalker recusa-se a se unir a Obi Wan. Ele tem responsabilidades demais na fazenda, mas quando ele vai para casa, descobre que sua família foi massacrada pelas Stormtroopers do Imperador.

4- O VELHO SÁBIO

Um mentor sábio, Obi Wan  Kenobi prepara Luke para a batalha à frente. Ele dá a ele um sabre de luz que um dia pertenceu ao pai de Luke, um cavaleiro Jedi. Ele conta a Luke sobre o lado negro da Força.

5- DENTRO DO MUNDO ESPECIAL

Luke decide deixar seu mundo habitual e ir acertar as coisas.

6- TESTE, ALIADOS E INIMIGOS

Luke entra num mundo perigoso, encontra estranhas criaturas no “limiar” (a área do bar), une forças com Han Solo, foge das Stormtroopers do Imperador e entra na briga, voando para o espaço para resgatar a Princesa Léia.

7- A CAVERNA SECRETA

Luke entra na Estrela da Morte, o lar e a arma suprema do maior guerreiro do Imperador do mal, Darth Vader.

8- A PROVAÇÃO SUPREMA

Luke, Han Solo e a Princesa Léia ficam presos na gigante prensa de lixo da Estrela da Morte; Luke é puxado sob a água por uma estranha criatura. Eles então são salvos por um aliado, R2D2.

9 – APODERANDO-SE DA ESPADA

Luke resgata a Princesa Léia e apodera-se das plantas da Estrela da Morte.

10- A ESTRADA DE VOLTA

Luke é perseguido por Darth Vader.

11- RESSURREIÇÃO

Luke é quase morto por Darth mas reage e vence. Luke destrói a Estrela da Morte.

12- RETORNO COM O ELIXIR

Luke é recompensado por todo o seu trabalho duro. O mundo está novamente em equilíbrio.

Quando Hollywood descobriu O Herói de Mil Faces, muitos produtores, diretores e escritores pularam de alegria: eles finalmente tinham encontrado a sua bíblia de estrutura de roteiro. Agora eles poderiam socar qualquer idéia neste esquema simples e sair com uma história muito boa. Mas outros não estavam tão excitados. Muitos sentiram que produtores demais, ansiosos por um caminho fácil, viram a fórmula de Campbell como o único caminho para estruturar um roteiro, não importando que tipo de história estivesse sendo contada. A estrutura de Campbell pode funcionar muito bem para Guerra Nas Estrelas e outras histórias de jornadas, mas oferece pouca ajuda para histórias como Noite de Desamor (‘night Mother, 1986), Meu Jantar Com André (My Dinner With Andre, 1981) e Falando de Amor (Waiting To Exhale, 1994).

texto compilado de https://dicasderoteiro.com/2010/01/19/a-jornada-do-heroi/

“Por que escrevo?” – 19 depoimentos que você precisa conhecer

“Por que escrevo?” – 19 depoimentos que você precisa conhecer

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– Por que você escreve?

No livro Por que escrevo?, organizado por José Domingos de Brito como parte da série “Mistérios da Criação Literária”, a pergunta parece ser feita a todos os mais variados cânones da literatura, da poesia, e do jornalismo – pessoas que, enfim, constroem e desconstroem com palavras. De A a Z, as respostas vão sendo traçadas uma a uma, em um espírito íntimo em meio ao qual o leitor tem, certas vezes, a impressão de ouvir da boca de seu grande ídolo as razões que o levaram a tal árdua profissão . Enquanto Allen Ginsberg diz que escreve porque gosta de cantar quando está só, Gabo diz que escreve para que seus amigos o amem mais. E assim o livro nos mostra, em uma coletânea despretensiosa e sem ornamentos — e com uma rica bibliografia sobre o ofício da escrita —, das respostas mais simples e definitivas às mais reflexivas, abrangentes e complexas possíveis.

Aqui vão algumas delas*:

01. Allen Ginsberg:

“(…) Eu escrevo poesia porque gosto de cantar quando estou só (…) Eu escrevo poesia porque minha cabeça contém uma multidão de pensamentos, 10 mil para ser preciso (…) Eu escrevo poesia porque não há razão, não há porquê. Eu escrevo poesia porque é a melhor forma de dizer tudo que me vem à cabeça no intervalo de um quarto de hora ou de toda uma vida.”

02. Augusto dos Anjos:

“A princípio escrevia simplesmente
Para entreter o espírito… Escrevia
Mais por impulso de idiossincrasia
Do que por uma propulsão consciente.

Entendi, depois disso, que devia,
Como Vulcano, sobre a forja ardente
Da ilha de Lemnos, trabalhar contente,
Durante as 24 horas do dia!

Riam de mim, os monstros zombeteiros.
Trabalharei assim dias inteiros,
Sem ter uma alma só que me idolatre…

Tenha a sorte de Cícero proscrito
Ou morra embora, trágico e maldito,
Como Camões morrendo sobre um catre!”

03. Carlos Drummond de Andrade:

“Posso dizer sem exagero, sem fazer fita, que não sou propriamente um escritor. Sou uma pessoa que gosta de escrever, que conseguiu talvez exprimir algumas de suas inquietações, seus problemas íntimos, que os projetou no papel, fazendo uma espécie de psicanálise dos pobres, sem divã, sem nada. Mesmo porque não havia analista no meu tempo, em Minas.”

04. Clarice Lispector:

“Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que foi essa que segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto, cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.”

05. Fernando Pessoa:

“Eu escrevo para salvar a alma.”

06. Fernando Sabino:

“Tenho a impressão de que se eu soubesse responder a essa pergunta deixaria de ser escritor. Não haveria condição. Não saberia dizer, não. Está além da minha compreensão. Esta pergunta é tão grave como se perguntassem: ‘Por que vive? Por que ama? Por que morre? ’. Talvez eu escreva para atender a essas três presenças que são as únicas que existem na vida de um homem. No verso de Eliot: ‘Birth, copulation and death’; eu diria ‘nascimento, amor e morte’. Não sei por que escrevo. Eu nasci, virei homem e vou morrer.”

07. Gabriel García Márquez:

“Para que meus amigos me amem mais.”

08. George Orwell:

“Meu ponto de partida é sempre um sentimento de proselitismo, uma sensação de injustiça. Quando sento para escrever um livro, não digo a mim mesmo: ‘Vou produzir uma obra de arte’. Escrevo porque existe uma mentira que pretendo expor, um fato para o qual pretendo chamar a atenção, e minha preocupação inicial é atingir um público. Mas não conseguiria escrever um livro, nem um longo artigo para uma revista, se não fosse também uma experiência estética. Quem se dispuser a examinar meu trabalho perceberá que, mesmo quando é uma clara propaganda, contém muito do que um político de tempo integral consideraria irrelevante. Não sou capaz de abandonar por completo a visão de mundo que adquiri na infância, nem quero. Enquanto viver e estiver com saúde, continuarei a ter um forte apego ao estilo da prosa, a amar a superfície da Terra, a sentir prazer com objetos sólidos e fragmentos de informações inúteis. De nada adianta tentar reprimir esse meu lado. O trabalho é conciliar os gostos e os desgostos arraigados com as atividades essencialmente públicas, não individuais, que esta época impõe a todos nós.”

09. Jean-Paul Sartre:

“Porque a criação só pode encontrar seu acabamento na leitura; porque o artista deve confiar a outro a tarefa de concluir o que ele começou; porque somente através da consciência é que ele pode se ter como essencial a sua obra e toda obra literária é um apelo. Escrever é apelar ao leitor para que ele faça passar à existência objetiva o descobrimento que empreendi por meio da linguagem.”

10. João Cabral de Melo Neto:

“Por que escrevo é um negócio complicado… Eu tenho a impressão de que a gente escreve por dois motivos. Ou por excesso de ser — é o tipo do escritor transbordante, como a maioria dos escritores brasileiros; é uma atitude completamente romântica — ou por falta de ser. Eu sinto que me falta alguma coisa. Então, escrever é uma maneira que eu tenho de me completar. Sou como aquele sujeito que não tem perna e usa uma perna de pau, uma muleta. A poesia preenche um vazio existencial. Às vezes, eu escrevo porque quero dizer determinada coisa que eu acho que não foi dita; às vezes, porque me interessa que conheçam meu ponto de vista. Às vezes, escrevo também por prazer.”

11. José Saramago:

“Antes eu dizia: ‘Escrevo porque não quero morrer. ’ Mas agora eu mudei. Escrevo para compreender. O que é um ser humano?”

12. Julio Cortázar:

“(…) O fascínio que uma palavra produzia em mim. Eu gostava de algumas palavras, não gostava de outras, algumas tinham certo desenho, uma certa cor. Uma de minhas lembranças de quando estava doente (fui um menino muito doente, passava longas temporadas de cama com asma e pleurisia, coisas desse tipo) é a de me ver escrevendo palavras com o dedo, contra uma parede. Eu esticava o dedo e escrevia palavras, e via as palavras se formando no ar. Palavras que eram, muitas vezes, fetiches, palavras mágicas. Isso é algo que depois me perseguiu ao longo da vida. Havia certos nomes próprios — e sei lá por quê — que para mim tinham uma carga mágica. Naquela época havia uma atriz espanhola que se chamava Lola Membrives, muito famosa na Argentina. Bom, eu me vejo doente — aos sete anos provavelmente — escrevendo com o dedo no ar Lo-la-Mem-bri-ves, Lo-la-Mem-bri-ves. A palavra ficava desenhada no ar e eu me sentia profundamente identificado com ela. De Lola Membrives, a pessoa, eu não sabia muita coisa, nunca a tinha visto e nunca a vi. Na realidade, eram meus pais que iam ver as peças onde ela trabalhava. E foi nesse mesmo momento que comecei a brincar com as palavras, a desvinculá-las cada vez mais de sua utilidade pragmática e comecei a descobrir os palíndromos, que depois apareceram nos meus livros… Desde muito pequeno, minha relação com as palavras, com a escrita, não se diferencia da minha relação com o mundo em geral. Eu não acho que nasci para aceitar as coisas tal como estão, tal como me são oferecidas.”

13. Manuel Bandeira:

“Na verdade, faço versos porque não sei fazer música… Jamais senti que meu destino fosse a Poesia, sobretudo assim com esse P maiúsculo que pressinto na sua garganta. Creio que se fui poeta em alguns momentos, só o fui por incidente patológico ou passional.”

14. Moacyr Scliar:

“Quando criança, eu era adicto à literatura, não podia ficar sem ler. A minha conexão com a vida acontecia via literatura. Eu lia para aprender a viver, para saber o que fazer. É claro que isso provoca muitas desilusões, muitos choques, porque a vida não é a literatura. Assim, quando comecei a escrever, foi porque lia. Outra razão é que meus pais foram grandes contadores de história. Numa noite quente como essa, as pessoas do meu bairro se reuniam para contar histórias, o que, desde muito cedo se incorporou em mim, passou a ser uma coisa que eu também queria fazer, só que à minha maneira, escrevendo.”

15. Paulo Francis:

“Escrevo romances para me perpetuar, para ter fama, glória, dinheiro, amor, essas coisas comezinhas da vida.”

16. Rachel de Queiroz:

“Acho que para cada escritor há uma razão diferente. No meu caso, num certo sentido, é o desejo interior de dar um testemunho do meu tempo, da minha gente e principalmente de mim mesma: eu existi, eu sou, eu pensei, eu senti, e eu queria que você soubesse. No fundo, é esse o grito do escritor, de todo artista. Creio que o impulso de todo artista é esse. É se fazer ver. Eu existo, olha pra mim, escuta o que eu quero dizer: tenho uma coisa pra te contar. Creio que é por isso que a gente escreve.”

17. Sérgio Milliet:

“Quer saber de uma coisa? Não acredito na predestinação literária. São circunstâncias acidentais que fazem o escritor e é o acaso de um primeiro êxito que o leva a perseverar. Um homem de inteligência média faz qualquer coisa; basta que a vida o exija. Qualquer camarada de algumas letras escreveu versos na mocidade; se não continuou, foi porque outra coisa lhe interessou.”

18. Truman Capote:

“Sou um escritor essencialmente horizontal. Não posso pensar mais do que quando estou encostado, com um cigarro nos lábios e uma xícara de café ao alcance da mão. A xícara de café pode ser trocada por um copo de vodka, não há por que ser maníaco. Não uso máquina de escrever, redijo à mão, com lápis. Trabalho quatro horas por dia durante quatro meses por ano. Sou um estilista: me preocupa mais onde colocar uma vírgula que ganhar o prêmio Nobel.”

19. William Faulkner:

“Para ganhar a vida.”

E você, por que escreve?

*Todos os depoimentos a seguir transcritos pertencem à coletânea “Por que escrevo?”, organizada por José Domingos de Brito (editora Novera), com suas respectivas fontes individuais. 

 

matéria compilada de http://homoliteratus.com/por-que-escrevo-19-depoimentos-que-voce-precisa-conhecer/

sábado, 4 de fevereiro de 2017

mais sal no prato dela


mais sal no prato dela

nove dedos botaram
mais sal
no prato dela

aumentou a pressão
sentiu mal
partiram direto
para o hospital

e lá
ela girou
fora para dentro
dentro para fora
pulou sapata
comeu rapadura
mascou chiclete
jogou bola

quando nada lhe falta
no mundo conquistado
ela quis ser rastafari
conhecer astronautas

pagou ele
pela picada letal
congelou toda ação
desatino total
ela partiu direto
ao abismo infernal

e lá
ela virou
direita esquerda
esquerda direita
conheceu o capeta
o saci Pererê
boi da cara preta
e foi-se embora

sacharuk
hh