A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

desenhando espirais


desenhando espirais

tu que me viste perdido
no espaço subtraído
inventando poesia
de gabinete

tu que me viste ausente
nos meus versos sem dentes
em fatal desamor à sofia
aos auspícios da negação

tu que me viste à deriva
desprovido da memória
sem vacina
sem repelente
cena suspensa na descrição

logo verás novamente
meus ventos soprarem ideias
traduzidas em versos universais
entre algumas histórias
irreais
ou comoventes

e perceberás a trajetória
que perfaz a rota ascendente
manobrada em círculos
desenhando espirais
 sacharuk


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Image credits: Matthias Haker

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