A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

aço


aço

anda assim
a alma
anda afora
ainda alquebrada
amargura aliviada

anda assim
a alma
animal alado

anda agora
alçada aos ares
arremedando as aves

alça as alturas
até a atmosfera azul
até arcos abertos
aplaudirem ao Apolo
a avermelhar
a aurora ametista

até anoitecer
anda assim
a alma
ainda acordada
abandona a armadura

as aspas abolidas
alíneas
artigos abreviados
abona aos apóstrofos
argumentos acumulados

a alma atada
ao aço
agora admite
arrebentar as algemas

 sacharuk
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