A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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terça-feira, 21 de julho de 2020

carbonos coloridos

comandante chegou com camburão cujas criaturas com capacetes continham carabinas. Cão cheirador chegou crispado. Chegaram chutando cadeiras, conferindo coisas, cara cara com Catilinas. Cão cheirou cozinha, cheirou copa, cheirou congelador contendo carne cozida congelada, cheirou cama, carpete. Catilinas, conquanto calado, continuava calmo. Cão cheirou caixinha condicionada com charmoso cadeado cintilante. Comandante corrompeu cadeado conferindo conteúdo. Catilinas conduzido cadeia central. Certamente conseguira condenação. Caiu cana condenado com caixinha contendo cinco centigramas carbonos coloridos.


carbonos coloridos

cada canalhice
conduz consequência
converte castigo

conheci cada cristo
cada capeta
cada canhestro
com carinha contente
com consciência certinha

cada canalhice
conduz consequência
converte castigo

conheci cafajestes
comungados com crentes
com coxinhas
capitalistas
conquanto comunistas
comiam criancinhas

canto certas coisas
com coração cortado
chamuscando cabeça
com carbonos coloridos
com carinhos
civilmente condenados

cada canalhice
conduz consequência
converte castigo

sacharuk



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