A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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terça-feira, 21 de julho de 2020

noites repletas de uma só voz

noites repletas de uma só voz

hoje pergunto
da insistência
de ter feito
o tempo divagar
fazer do intento
um lugar qualquer
qualquer outro lugar

hoje sinto
pesar os minutos
a sutura do rasgo
iminente de um grito
e do riso absurdo
delirante de orgasmos

eu busco
eu procuro
espero
que o escuro
não vire
teu brilho
ao avesso

hoje atravesso
mares mais calmos
a estrada mais longa
da distância abstrata
reviro noites estreladas
tão quietas
repletas
de uma só voz

eu ouço
eu quero
espero
que o sol
não queime
tuas costas
pelas frestas
da janela

sacharuk


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