A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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terça-feira, 21 de julho de 2020

os sais do teu banho

os sais do teu banho

subtraio 
teus pensamentos
rasgo-te as roupas
arranco-te promessas
desde as singelas
até as mais loucas
impregno os sais 
do teu banho 
com partículas ocultas
de mim

subtraio
os teus vícios
teus fins
teus inícios
drogas e culpas
invado os domínios
subjugo o arbítrio
os recônditos
donde escondes segredos
buracos sinistros
cobertos de medo

subtraio
teu baú de artifícios
obscuros diamantes
lapidados na mente
teu hades latente
de fogo e lama

subtraio
a cruel liberdade
que te prende na cama

de novo

tudo o que subtraio
depois eu devolvo

sacharuk



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